O Movimento do Protectorado Português da Lunda Tchokwe (MPPLT) formalizou, esta terça-feira, a entrega da proposta de Estatuto de Autonomia da Região Leste ao Bureau Político do MPLA, no quadro das comemorações dos 20 anos de existência do movimento (2006–2026).
De acordo com o comunicado oficial, o acto constitui um marco político relevante e é apresentado como um “teste real” à política de abertura ao diálogo defendida pelo Presidente da República, João Lourenço, em diferentes fóruns nacionais e internacionais.
O MPPLT sustenta que a recepção, análise e eventual negociação da proposta serão o verdadeiro barómetro da maturidade democrática do Estado angolano, confrontando o discurso oficial de reconciliação, paz e estabilidade com a prática governativa.
Fundado em 2006, o Movimento do Protectorado Português da Lunda Tchokwe afirma que completa duas décadas de luta pacífica pela autonomia administrativa e política da região da Lunda, alicerçada, segundo o movimento, na defesa dos tratados históricos de 1885–1894 e no princípio da autodeterminação administrativa do povo Lunda Tchokwe.
No documento, o MPPLT refere que, ao longo de 20 anos, evoluiu de um movimento de resistência para um actor político que considera indispensável no debate nacional, mantendo como eixo central a dignidade, identidade histórica e os direitos colectivos das populações da região Leste de Angola.
O movimento sublinha ainda que o verdadeiro diálogo político não se esgota na retórica institucional, mas exige a capacidade efectiva do Estado em dialogar com movimentos que reivindicam direitos históricos e administrativos legítimos. Para o MPPLT, a proposta de autonomia representa um instrumento de justiça territorial e inclusão política.
No contexto da Agenda Política do partido no poder para 2026, centrada na estabilidade e no desenvolvimento económico, o movimento considera que não poderá haver desenvolvimento sustentável na região Leste enquanto persistirem modelos de exclusão política, administrativa e económica.
“A nossa proposta de autonomia não colide com o progresso nacional, antes constitui um instrumento para tornar o desenvolvimento inclusivo”, sustenta o comunicado, acrescentando que ignorar a questão da Lunda representa, segundo o movimento, a manutenção de um foco estrutural de instabilidade com impacto no futuro da governação nacional.
O MPPLT afirma aguardar que o Bureau Político do MPLA analise o documento com “a seriedade que o momento histórico exige”, defendendo que, após 20 anos de luta pacífica, o povo Lunda Tchokwe espera uma resposta baseada no diálogo, na concórdia e na justiça territorial.
O comunicado termina com um apelo à escolha da via do entendimento político, em detrimento de soluções repressivas, reafirmando os princípios do movimento: direito, história e autonomia.
