Mortes por elefantes viram alvo de investigação do governo em Cabinda

Os dados preliminares indicam a ocorrência de mortes de camponeses por ataques de elefantes nos municípios de Buco-Zau e do Belize, de acordo com o secretário provincial da Agricultura, Pecuária e Pesca em Cabinda, Gabriel Lussuamo.

O Governo Provincial de Cabinda criou uma comissão para fazer um levantamento da quantidade de cidadãos que perderam a vida em consequência de ataques provocados por elefantes.

A decisão saiu da última reunião do Conselho Provincial de Auscultação Social, através dos quais os representantes de diversas comunidades apresentação as suas aflições à mais alta representante do Executivo em Cabinda.

As populações do município de Massábi vivem da agricultura, mas, infelizmente, as suas culturas de mandioca e banana, sobretudo, estão a ser devoradas pelos elefantes. A questão do conflito entre homem e animal, no caso, elefante, esteve no centro do encontro entre a administradora municipal, Fátima Congo, e as autoridades tradicionais.

As populações relataram os danos que os animais estão a provocar às comunidades, o que está a causar penúria alimentar na região.

Em declarações ao jornal OPAÍS, Fátima Congo garantiu que o assunto já foi levado à consideração da governadora provincial, Suzana de Abreu, às secretarias de Agricultura, do Ambiente e da Acção Social.

“Nós vamos continuar a levantar essas preocupações e vamos procurar também implementar outras práticas que podem ajudar de forma natural a afastar os elefantes junto dos campos de cultivo”.

Uma das práticas naturais para afugentar os animais junto dos campos agrícolas, a administra- dora municipal do Massábi apontou a criação de colmeias de acordo com orientações dos Ministérios do Ambiente e da Agricultura. “Temos de unir esforços, nós, administração e a comunidade, para que possamos conseguir implementar essas práticas”, defendeu.

Fátima Congo apelou aos seus munícipes a não matarem os elefantes, apesar de estes animais estarem a prejudicar as plantações e aumentarem ainda mais a fome e a pobreza no seio da comunidade.

Por isso, defendeu a união de esforços para implementar acções práticas que visam, de forma natural, afugentar os elefantes próximos das populações. “É um trabalho árduo que temos que levar a cabo entre a administração e a comunidade para atingirmos esse objectivo”, concluiu.

Por conta desta devastação, a produção da mandioca, banana, feijão, batata e outros produtos nos municípios de Cacongo, Buco-Zau e Belize, principais áreas afectadas, poderá estar comprometida.

Pelo facto, as populações das referidas localidades, cuja actividade principal é a produção agrícola, temem por uma escassez de alimentos devido à devastação das suas lavras pelos animais. No decurso das visitas que efectuou aos municípios do interior, a governadora de Cabinda, Suzana de Abreu, ouviu frequentemente o clamor das populações em relação ao conflito homem/animal

Medidas fracassadas

O secretário provincial da Agricultura, Pecuária e Pesca, Gabriel Lussuamo, afirmou, à imprensa, que “não temos ainda medidas concretas para poder fazer face” aos estragos que os elefantes estão a causar as plantações”

Segundo Gabriel Lussuamo, existem algumas medidas paliativas para conter a situação, mas que não estão a dar os resultados pretendidos. Apesar disso, o secretário provincial da Agricultura, Pecuária e Pesca aconselha as populações a não abater os elefantes por estes serem animais protegidos por lei e que se encontram na linha vermelha no país a nível ambiental.

“Contudo, temos de estudar outras medidas de forma que se reduza o impacto da acção desses animais na vida das populações”, referiu, reconhecendo a dura realidade das populações que vêem os esforços da sua produção a serem reduzidos a zero pelos elefantes.

Gabriel Lussuamo disse que os membros do governo provincial tomaram boa nota, sobretudo do assunto, e deixaram orientações expressas para as autoridades trabalharem junto das comunidades para mitigar o impacto negativo da acção dos elefantes nas plantações dos camponeses.

“Vamos trabalhar com o Ministério do Ambiente para ver qual é a solução a dar sobre o assunto. Há necessidade de poder encontrar outros mecanismos para poder resolver o problema”, sublinhou Gabriel Lussuamo.

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