Moçambique 2024: Protestos pós-eleitorais revelam um Estado incapaz de proteger direitos humanos

Moçambique registou episódios significativos de violência após as eleições gerais de outubro de 2024. Alegações de fraude eleitoral por parte de partidos da oposição e observadores independentes resultaram em manifestações nacionais inspiradas pelo candidato presidencial da oposição.

De acordo com o relatório do Departamento de Estado dos EUA, a polícia reprimiu protestos pacíficos com força excessiva, resultando em aproximadamente 248 mortos e 4.200 detenções arbitrárias. Jornalistas enfrentaram intimidação e restrições ao acesso à internet móvel e redes sociais, dificultando a cobertura dos acontecimentos.

O documento destaca ainda graves violações de direitos humanos, incluindo execuções arbitrárias, desaparecimentos, tortura, recrutamento de crianças por grupos armados ligados ao ISIS-Mozambique em Cabo Delgado, e limitações à liberdade de expressão e imprensa. Apesar de alguns esforços governamentais para investigar e punir abusos, a impunidade entre membros das forças de segurança permaneceu um problema grave.

O relatório menciona crimes cometidos por terroristas do ISIS-Mozambique, como decapitações, sequestros, destruição de casas e uso de crianças em combate. Além disso, ataques e abusos cometidos por milícias e forças governamentais em Cabo Delgado exacerbaram a situação humanitária.

No âmbito laboral, o país garantiu direitos de associação e negociação coletiva, mas fiscalização insuficiente e predominância do setor informal deixaram muitos trabalhadores vulneráveis. Alterações legislativas aumentaram licenças de maternidade e paternidade, mas persistem dificuldades na aplicação de salários e normas de segurança ocupacional.

O relatório ressalta ainda casos de detenção prolongada sem acusação, tortura, casamento infantil e proteção de refugiados, indicando desafios contínuos na garantia dos direitos humanos no país.

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