O Partido Revolucionário Institucional (PRI) governou o México durante 71 anos ininterruptos. Quando o PRI perdeu o poder na “Tierra Azteca”, os seus militantes abandonaram-no quais ratos que fogem de um navio que se afunda em alto mar. Partiram em busca de privilégios e oportunidades noutras forças políticas. Uns passaram-se logo para o partido que tinha rendido o PRI no poder. Alegação: As circunstâncias obrigaram-nos a estar nas suas fileiras. Argumentaram que não era por convicção ideológica. Uns diziam que era por obrigação. Outros justificavam com a necessidade de sobreviver economicamente.
O MPLA é um património material de Angola. Está no poder há meio século. Anda política e ideologicamente à deriva. O engenheiro Fernando Pacheco afirmou em entrevista concedida recentemente ao “Polígrafo” o seguinte:“O MPLA hoje é uma agência de obtenção de lugares de destaque no Governo e no aparelho do Estado”. Tem toda (e mais alguma) razão! Os jovens hoje acorrem em massa para o MPLA com o intuito de estarem (mais ou menos) bem de vida. Descobriram a fórmula. Ideologia? Para quê? Patriotismo? A que horas?! O mais importante é estar lá dentro e aguardar pela oportunidade de chegar ao aparelho do Estado ou do Governo e dizer: “Chegou a minha vez. Tenho de me organizar”. É assim que funciona. Esta é a lógica!
O jornalista Rui Kandov deu à estampa um artigo em que alerta que o MPLA está a ser destruído. Só não deu conta ainda quem está à toa na vida e a ver a banda a passar. O partido “rubro-negro” está a nivelar muito por baixo. A competência política deixou de ser um critério para elevação dos militantes. A qualidade dos quadros deixa muito a desejar. O dia que o MPLA tiver o azar de ter a sorte do PRI, a maior parte dos militantes vai virar-lhe as costas tal como fizeram com o seu presidente emérito. Uns passam-se com dossiês e todo tipo de informação para o partido que render o MPLA no poder.
O futuro de Angola sem o MPLA é uma incógnita. O MPLA convoca à minha memória expressão idiomática que se refere à importância das mulheres na vida dos homens nos seguintes termos: “Mal com elas, pior sem elas”! Angola está mal com o MPLA. Mas fica pior sem ele. Por quê? Porque a maior parte dos quadros angolanos são do MPLA. Não vislumbro no horizonte político angolano partido com quadros e experiência suficientes para fazer melhor que o MPLA. Mal por mal, antes assim!
Por Jorge Eurico
