Mais de 70% das construções em Angola estão estagnadas, revela INE

O número de obras paralisadas no país tem vindo a aumentar nos últimos anos, devido à contínua degradação da condição social e económica das famílias e à fraca capacidade das empresas em dar seguimento aos projetos.

De acordo com o Jornal Expansão, o Inquérito Trimestral de Avanço e Acompanhamento dos Edifícios em Processo de Construção (ITAEPC), realizado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), no primeiro trimestre deste ano 77% das obras encontravam-se estagnadas em todo o território nacional, correspondendo a oito em cada dez empreendimentos.

O relatório indica que, entre janeiro e março, foram visitadas 3.332 obras, das quais apenas 780 estavam em execução, evidenciando os constrangimentos do sector da construção. Em comparação ao último trimestre de 2024, houve um aumento de 1,3% no número de obras paralisadas.

As principais causas deste cenário incluem o aumento do preço dos materiais de construção, a falta de fiscalização e a inflação, que reduz o poder de compra das famílias e limita a capacidade de investimento das empresas.

Por províncias, Benguela lidera com 435 obras paralisadas, seguida do Uíge (372) e Cuando Cubango (352). A província do Bengo apresenta o menor número, com apenas 19 obras estagnadas, situação atribuída à reduzida carteira de projetos na região.

Em contrapartida, Luanda lidera no número de obras em execução, com 129 empreendimentos (16,5% do total), seguida do Cuanza Sul, com 112 (14,36%), e do Namibe, com 97 (12,44%).

O levantamento do INE mostra ainda que 95% das obras visitadas têm fins habitacionais, enquanto 5% destinam-se a empreendimentos não residenciais, como indústrias, escolas, hospitais e hotéis.

Em termos de área, o Bié concentra a maior extensão bruta de construção, com 65.768 metros quadrados, num total nacional de 456.564 metros quadrados.

No que diz respeito aos custos, as obras em execução no primeiro trimestre representaram um gasto médio mensal de 95,2 milhões de kwanzas em mão de obra, sendo 71,6 milhões para habitação e 23,5 milhões para projetos não residenciais. A Lunda Norte apresentou os custos mais elevados por obra habitacional, estimados em 16,9 milhões Kz, seguida de Luanda, com 12,9 milhões Kz.

 

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