O delegado adjunto da UNITA em Portugal, Edgar Kapapelo, manifestou, na sexta-feira, 25 de julho, o seu desagrado quanto à recepção oficial concedida ao Presidente João Lourenço durante a visita de Estado à República Portuguesa. Segundo o político, a acção governativa em Angola carece de maior atenção às necessidades sociais da população.
Em nota enviada à redação do Hold On Angola, Edgar Kapapelo referiu-se ao aumento contínuo do preço dos combustíveis e à crescente dificuldade de acesso a transportes públicos, especialmente os táxis, utilizados por grande parte dos cidadãos. O político questionou ainda se o Executivo está efectivamente a servir os interesses do povo ou os interesses particulares, numa crítica directa à actual gestão dos recursos públicos.
Segundo Edgar Kapapelo, “dinheiros públicos continuam a ser alocados a organizações juvenis ligadas ao partido no poder, como a JMPLA e o CNJ, e a estruturas como a ANJE Diáspora, que, na sua opinião, não têm impacto real na vida dos jovens angolanos”. Lamentou, igualmente, que “associações estudantis e até religiosas estejam a ser instrumentalizadas para fins políticos”.
O delegado da UNITA em Portugal afirmou ainda ter recusado, desde 2017, qualquer participação em iniciativas que, segundo disse, “não servem os interesses da nação”, reiterando a sua oposição a práticas que considera desviantes do uso adequado dos recursos do Estado.
Visita presidencial reforça cooperação com Portugal
A visita oficial do Chefe de Estado angolano a Portugal, realizada em Julho de 2025, teve como objectivo central o reforço das relações bilaterais e a assinatura de 11 acordos de cooperação em áreas como investimento externo, transportes, protecção civil, inovação tecnológica e igualdade de género.
Durante a estada em Lisboa, o Presidente João Lourenço participou, ao lado do seu homólogo português, Marcelo Rebelo de Sousa, no EuroAfrican Forum 2025, onde abordou temas de interesse estratégico para o continente africano no âmbito da Agenda 2063.
O estadista angolano manifestou, ainda, preocupação com as novas disposições da lei de imigração em debate em Portugal, tendo defendido maior inclusão e respeito pelos direitos dos cidadãos africanos residentes naquele país europeu. Na qualidade de presidente em exercício da União Africana, João Lourenço garantiu que o assunto será levado a debate nas instâncias continentais.
