Os trabalhadores das empresas públicas de comunicação social arrancaram do Executivo um aumento salarial de 31% a partir de Outubro, depois de sucessivas rondas de negociações marcadas por tensão e desgaste.
O acordo, fechado esta terça-feira (16), abrange jornalistas (editores, subeditores e realizadores), técnicos, pessoal administrativo e dos serviços gerais da TPA, RNA, ANGOP, Edições Novembro, TV Zimbo e grupo Media Nova.
Para os detentores de cargos de direcção e chefia, o aumento será de 13%, enquanto os membros dos conselhos de administração terão apenas 5% de acréscimo. O acerto, no entanto, não terá retroactivos.
As negociações, que duraram mais de oito horas, envolveram representantes do Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA), Ministério das Telecomunicações e Comunicação Social, Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social, bem como conselhos de administração das empresas.
Apesar do ganho imediato, não haverá aumento geral em Janeiro de 2026, como estava a ser esperado em fases anteriores. A promessa do Executivo é apenas analisar progressões de carreira caso a caso, mediante avaliação de desempenho, com o trabalho de uma comissão que começa em Novembro.
Enquanto o Governo procura acalmar o ambiente dentro da imprensa pública, cresce a crítica de que estas medidas visam apenas silenciar descontentamentos internos no sector da comunicação social, considerado peça-chave no controlo da narrativa política do regime.
