A decisão, tornada pública no final de um discurso de mais de três horas no Parlamento, foi apresentada como um gesto de “perdão, paz e reconciliação nacional”. A declaração foi recebida com aplausos prolongados, sobretudo pela bancada do MPLA, e marca um dos momentos simbólicos da abertura do novo ano parlamentar.
Segundo João Lourenço, a condecoração visa reconhecer o contributo de todos os que, de diferentes formas, participaram na luta pela libertação de Angola, reforçando o espírito de unidade nacional. “Reconhecemos o esforço de milhares de angolanos e estrangeiros que contribuíram para a nossa independência. A reconciliação nacional é um passo essencial para consolidar a paz e fortalecer a nossa Nação”, afirmou.
O gesto ocorre após críticas de vários setores da sociedade pela ausência dos nomes dos signatários dos Acordos de Alvor nas distinções anteriores, o que foi interpretado como um esquecimento de figuras centrais da história do país.
No mesmo discurso sobre o Estado da Nação, o Presidente destacou os progressos alcançados desde 1975 nos sectores da saúde e da educação. Lembrou que, no início da independência, Angola dispunha apenas de 320 unidades sanitárias e uma esperança média de vida de 41 anos, enquanto as taxas de mortalidade infantil e materna eram elevadas.
Com o fim da guerra civil em 2002, o país conseguiu reconstruir grande parte da sua rede de serviços públicos. Atualmente, o sistema de saúde apresenta melhorias significativas, e a taxa de analfabetismo reduziu-se de 85% em 1975 para 24%, com mais de 9,6 milhões de alunos e 208 mil professores no sistema de ensino.
Apesar dos avanços, João Lourenço reconheceu que “persistem desafios”, sobretudo no acesso universal à educação e na construção de infraestruturas adequadas face ao crescimento populacional.
