Inflação descontrolada e ajuste salarial insuficiente: BD apoio greve dos trabalhadores

O Bloco Democrático expressa profunda preocupação com a alarmante escalada da inflação em Angola nos últimos anos, que se intensificou nos últimos 15 meses com aumentos descontrolados nos preços de bens e serviços. Em 2023, apenas, os preços dispararam em 20%, e o Comité Monetário, ligado ao Banco Central, projecta uma taxa semelhante para este ano, de acordo o comunicado no Facebook.

Em resposta, o governo de João Lourenço anunciou, em janeiro deste ano, um ajuste salarial de 5% para os cerca de 800 mil funcionários públicos, visando melhorar seu poder de compra. No entanto, dada a crise de preços que persiste sem solução política ou fiscal eficaz por parte do governo e do Banco Central, torna-se claro que esse ajuste não se traduzirá em melhorias significativas na qualidade de vida dos cidadãos. Pelo contrário, apenas manterá a situação social alarmante enfrentada pela classe trabalhadora do país.

O Bloco Democrático tem acompanhado de perto o trabalho das principais centrais sindicais do país, que têm exigido um salário mínimo nacional de 250 mil kwanzas (aproximadamente 276 euros). Em fevereiro deste ano, essas centrais sindicais realizaram assembleias em todo o país para decidir sobre a possibilidade de uma greve geral, dada a falta de resposta clara do governo às suas demandas. Caso o governo continue ignorando as necessidades do povo, a única opção restante será a convocação de uma greve geral, marcada para 15 de março.

O Bloco Democrático condena a falta de diálogo institucional por parte do governo angolano, enfatizando que Angola é formalmente um estado democrático que deve buscar o bem-estar de seus cidadãos. Acredita-se que um verdadeiro estado democrático deve defender os direitos dos trabalhadores, garantir a estabilidade do emprego e aumentar significativamente o salário mínimo nacional. Nesse sentido, o Bloco Democrático se junta aos sindicatos e trabalhadores na busca por um estado mais inclusivo e progressista.

Além disso, o Bloco Democrático defende o direito à greve, à liberdade sindical e à justiça social, atribuindo a crise atual dos trabalhadores principalmente à exploração perpetrada por uma elite privilegiada, à relação promíscua entre o poder político e económico, e à falta de diálogo entre governo, empresas e sindicatos para definir políticas salariais adequadas.

Reiterando seu compromisso com os interesses dos trabalhadores, o Bloco Democrático coloca sua base militante à disposição das centrais sindicais para apoiar a iniciativa de greve.

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