A morte de uma jovem de 30 anos e da sua bebé no Hospital Materno-Infantil do Namibe gerou revolta e levantou preocupações sobre a qualidade dos serviços de saúde na província. Familiares acusam o hospital de falta de transparência na comunicação sobre o estado da paciente, enquanto cidadãos exigem esclarecimentos e melhorias urgentes, num contexto de denúncias de negligência, más condições e favorecimento no atendimento.
CARTA ABERTA AO DIRETOR DO GABINETE PROVINCIAL DA SAÚDE DO NAMIBE
Assunto: Pedido de Esclarecimento e Providências Urgentes sobre a Situação do Hospital Materno-Infantil
Exmo. Sr. Diretor do Gabinete Provincial da Saúde do Namibe,
Nós, cidadãos preocupados com a dignidade e a qualidade dos serviços de saúde na nossa província, vimos, por meio desta carta, manifestar a nossa profunda indignação e exigir esclarecimentos sobre as condições precárias do Hospital Materno-Infantil do Namibe, que recentemente (04/03) resultaram na morte de uma jovem de 30 anos, de nome Maria, e da sua bebé.
De acordo com os relatos dos familiares, a jovem deu entrada no hospital às 10h para o parto e, às 16h, sem qualquer comunicação prévia sobre o seu estado de saúde, a família foi apenas informada do seu falecimento, sem maiores explicações sobre as causas da morte e sem qualquer suporte adequado. Essa falta de transparência e de respeito para com os pacientes e seus entes queridos não pode ser ignorada.
Este caso trágico não é um evento isolado. O Hospital Materno-Infantil tem sido alvo de inúmeras denúncias sobre a precariedade das suas condições estruturais e o atendimento deficitário. Entre os problemas relatados, destacam-se:
- A falta de comunicação entre a equipa médica e os familiares dos pacientes, deixando-os desamparados e sem informações essenciais sobre o estado de saúde dos internados.
- A ausência de redes de proteção nas janelas, tornando o ambiente vulnerável à presença de mosquitos e outros insetos, colocando em risco a saúde de gestantes, bebés e demais pacientes.
- A retirada das cadeiras do alpendre, dificultando o mínimo conforto às famílias que precisam aguardar por notícias de seus entes queridos.
- Denúncias de nepotismo e favorecimento no acesso a serviços essenciais, como transfusões de sangue, comprometendo o princípio da equidade na saúde pública.
Diante desses factos, exigimos que o Gabinete Provincial da Saúde do Namibe:
- Forneça esclarecimentos públicos e detalhes sobre a morte da jovem e da sua bebé, garantindo transparência à família e à sociedade.
- Adote medidas urgentes para melhorar as condições sanitárias e estruturais do hospital, incluindo a instalação de redes de proteção e o combate a infecções.
- Garanta um atendimento humanizado, assegurando que as famílias recebam informações claras e constantes sobre a situação dos pacientes internados.
- Investigue as denúncias de nepotismo e outras irregularidades que comprometam o acesso justo e igualitário aos serviços hospitalares.
- Implemente ações para recuperar a confiança da população no sistema de saúde, garantindo que tragédias como essa não voltem a ocorrer.
A saúde pública deve ser tratada com seriedade e compromisso, pois vidas estão em jogo. Não podemos aceitar que a maternidade, um espaço que deveria ser símbolo de esperança e renovação, torne-se um ambiente de medo e desespero para as famílias do Namibe.
Aguardamos um posicionamento oficial e ações concretas. O silêncio diante desta situação apenas reforçará a desconfiança da população e aprofundará a crise no sistema de saúde da nossa província.
Atenciosamente,
Wayndombida Cikale
