O cientista social, músico e activista político angolano, Hitler Jessy Tshikonde, conhecido publicamente como “Hitler Samussuku”, partilhou com a comunidade académica da Universidade de Brasília, no Brasil, as linhas de força da sua identidade cultural e as determinantes históricas da civilização que moldaram a sua trajectória pessoal e política.
Num texto partilhado na sua página do Facebook, o activista assumiu com orgulho a sua condição de descendente dos povos Lunda, Tchokwe e Luvale, herdeiros de uma das mais influentes civilizações da África Central e Austral, cuja presença se estende pelo leste de Angola, sul da República Democrática do Congo e norte da Zâmbia.
Ao falar sobre o percurso dos seus ancestrais, Samussuku afirmou que os mesmos estabeleceram reinos, redes comerciais e sistemas políticos próprios que resistiram às imposições coloniais portuguesa, belga e britânica. Referiu-se ainda à abundância de diamantes na sua região de origem como um recurso que marcou profundamente a história das comunidades locais.
Nascido na província do Moxico, o cientista social asseverou que a sua identidade transcende as fronteiras políticas coloniais e os mapas contemporâneos, reivindicando laços culturais com localidades como Kolwezi, Mwene Lunga, Solwezi, Lubumbashi e Kitwe, além de lembrar o legado de autoridades tradicionais como Mwata Yamvo, Mwatchisenge, Nya Katolo e Samanhonga Mwana Lunga.
De igual modo, detalhou a sua iniciação, desde a tenra idade, na “Mukanda” – considerada a escola da vida –, processo no qual absorveu os valores da coragem, disciplina e respeito pelos mais velhos, além da convivência com o meio selvagem e a pesca nos rios Zambeze, Kassai, Lunge Bungo e Lwena.
Ao concluir, realçou igualmente o seu domínio dos idiomas luvale e tchokwe, a compreensão do suaíli, lunda-ndembo e ngangela, bem como a interpretação da “Lusona”, descrita como uma sofisticada arte pré-colonial de comunicação e transmissão de saberes. A terminar a sua exposição, Hitler Samussuku declarou-se integrante do Protectorado Lunda-Tchokwe e rendeu homenagem ao líder tradicional Zeca Mutxima.
