O Governo tornou pública, nesta sexta-feira, 05 de Dezembro, a nova Estratégia Nacional de Inclusão Financeira (ENIF) 2025–2027, um instrumento que visa alargar o acesso da população e das empresas aos serviços financeiros formais, reforçar a literacia financeira e reduzir assimetrias regionais no país.
Durante a cerimónia oficial, o Ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, afirmou que a ENIF representa “um mecanismo abrangente de política pública capaz de transformar, de forma estrutural, o panorama financeiro nacional”.
Segundo o governante, a estratégia facilitará o acesso a produtos como poupança, crédito, seguros e sistemas de pagamento, permitindo que os cidadãos gerem rendimento, protejam-se de riscos e participem activamente na economia formal.
Dados oficiais mostram que 51% dos angolanos continuam fora do sistema financeiro, e apenas um quarto possui literacia financeira adequada, realidade concentrada sobretudo em Luanda e nas regiões do litoral.
Massano anunciou que o Executivo pretende elevar a taxa de inclusão financeira para 65% até 2027, através da expansão do microcrédito, da banca digital e do reforço de parcerias com o sector privado e a sociedade civil.
“O objectivo é garantir que qualquer cidadão, independentemente da condição social ou localização, tenha acesso a serviços financeiros seguros e a preços acessíveis”, declarou.
O Governador do Banco Nacional de Angola (BNA), Manuel Tiago Dias, destacou que a inclusão financeira evoluiu de uma simples expansão de serviços para uma abordagem centrada no cidadão e no empoderamento económico.
“A inclusão não é apenas acesso; é um motor de progresso. Quando oferecemos ferramentas financeiras adequadas às comunidades, criamos resiliência e oportunidades”, afirmou.
O responsável realçou que os supervisores bancário, segurador e do mercado de capitais têm a missão de garantir um ambiente regulatório moderno, com foco na digitalização, interoperabilidade dos sistemas de pagamento, protecção do consumidor e apoio às micro, pequenas e médias empresas.
A implementação da estratégia exigirá coordenação entre vários sectores, incluindo identidade digital, telecomunicações, energia, vias de acesso e educação financeira desde a infância.
“O sucesso da ENIF depende de um compromisso colectivo entre o Estado, reguladores, sector financeiro e sociedade civil”, frisou o Governador do BNA, assegurando que o banco central continuará a monitorizar a execução e promover transparência.
A Ministra da Educação, Luísa Grilo, realçou o simbolismo de realizar o acto numa escola, defendendo que o sistema educativo tem um papel determinante na formação de cidadãos financeiramente conscientes.
Segundo disse, o acesso aos serviços financeiros só terá impacto real se os cidadãos forem capazes de utilizá-los de forma informada. A ministra garantiu que o sector da Educação continuará a trabalhar para que a literacia financeira chegue às comunidades, contribuindo para a autonomia económica das famílias.
