Angola submeteu uma proposta para adquirir uma participação minoritária na De Beers, uma das maiores empresas de diamantes do mundo, atualmente em processo de venda pela Anglo American, anunciou o Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás.
Segundo a nota, a oferta foi apresentada pela Endiama, empresa nacional de diamantes, que assegura estar “totalmente financiada” para a operação. O objectivo de Angola é formar um consórcio pan-africano que inclua Botswana, Namíbia, África do Sul e Angola, evitando que um único país assuma controlo isolado da companhia.
O ministro dos Recursos Minerais, Diamantino Pedro Azevedo, afirmou que a proposta visa “garantir uma participação significativa de todos os países africanos produtores de diamantes, assegurando que a De Beers cresça como uma verdadeira entidade comercial internacional”.
A iniciativa surge na mesma semana em que o Presidente do Botswana, Duma Boko, anunciou a intenção do seu país de adquirir uma participação maioritária na De Beers, onde já detém 15 por cento.
Com valor contabilístico estimado em 4,9 mil milhões de dólares, analistas admitem que a Anglo American poderá enfrentar dificuldades em concretizar a venda da sua participação de 85 por cento, devido ao actual contexto de queda dos preços dos diamantes e à concorrência das pedras produzidas em laboratório.
Angola, que já mantém uma parceria com a De Beers através da Endiama, é hoje uma das economias com maior crescimento no sector diamantífero. Em Novembro, o país retirou a empresa russa Alrosa do mercado interno, na sequência das sanções internacionais, tendo vendido a sua participação de 41 por cento na mina de Catoca a um consórcio de investidores de Omã.
Especialistas internacionais consideram a proposta angolana consistente com a estratégia de crescimento do sector. Para Robert Wake-Walker, consultor da WWW International Diamond Consultants, “Angola é um dos países com maior crescimento na produção de diamantes a nível mundial”.
A proposta angolana poderá tornar-se num desafio negocial, uma vez que será necessário definir um plano de gestão conjunto entre os países envolvidos. Entretanto, a Anglo American não descarta outras opções, incluindo a eventual cotação da De Beers em bolsa, caso não surja uma proposta suficientemente atractiva.
