Governo da Guiné-Bissau expulsa delegações da Lusa, RTP e RDP

As delegações da agência Lusa, da RTP e da RDP foram expulsas esta sexta-feira (15) da Guiné-Bissau, por decisão do Governo guineense, que ordenou a suspensão das emissões e determinou que os representantes deixem o país até terça-feira.

As autoridades guineenses não apresentaram justificações para a medida, que afeta os órgãos de comunicação social portugueses, incluindo a RTP África e a RDP África.

Em Lisboa, o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) classificou a decisão como “altamente censurável e injustificável” e anunciou que vai solicitar explicações ao Governo guineense.

Em comunicado, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, informou ter convocado o embaixador da Guiné-Bissau em Portugal para uma reunião no sábado.
“O Governo português, ciente da importância do trabalho destes órgãos para as populações de ambos os países e para a comunidade lusófona, tudo fará para reverter tal decisão”, refere a nota.

O MNE reafirmou que as relações entre os dois países são pautadas pelo respeito mútuo e que a diplomacia portuguesa continuará a trabalhar para manter a “alta qualidade das relações recíprocas”.

Órgãos de comunicação repudiam expulsão

As direções de Informação da Lusa, RTP e RDP emitiram uma Nota de Repúdio, acusando o Governo guineense de “ataque deliberado à liberdade de expressão” e de “silenciar os jornalistas” através de uma “ação discriminatória e seletiva”.

“Consideramos que a expulsão dos nossos jornalistas é um atentado aos princípios fundamentais que norteiam a atividade jornalística, bem como uma violação da democracia e do Estado de direito”, afirmaram Luísa Meireles (Lusa), Mário Galego (RDP) e Vítor Gonçalves (RTP).

Os responsáveis exigem que os profissionais possam continuar a exercer o direito de informar no país e manifestaram solidariedade para com os jornalistas das delegações expulsas.

A decisão surge semanas após a agressão ao jornalista da RTP, Waldir Araújo, no centro de Bissau, por indivíduos que, segundo relatos, terão acusado a emissora de “denegrir a imagem da Guiné-Bissau no exterior”.

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