A cidade de Luanda foi palco, na manhã desta sexta-feira, 22 de novembro, do 1º Fórum de Responsabilidade Social Rodoviária (FRSR), uma iniciativa da Administração do Distrito Urbano da Samba (ADU Samba), em parceria com a Administração Municipal de Luanda (AML) e o apoio do Governo da Província de Luanda. O evento, realizado no Auditório Nobre do Instituto Superior Metropolitano de Angola (IMETRO), teve como tema central “Condução Defensiva para Prevenir a Sinistralidade – A Segunda Maior Causa de Mortes em Angola”. O fórum reuniu autoridades, especialistas e a sociedade civil para discutir soluções que ajudem a reduzir os acidentes rodoviários, que são uma das principais causas de morte no país.
A segurança nas estradas de Luanda e Viana foi um dos temas principais abordados durante o evento. O Intendente Manuel Salazo, responsável pela segurança rodoviária na capital, destacou que áreas como a Estrada Nacional 230, conhecida como Estrada do Capeto, e o município de Viana apresentam altos índices de sinistralidade, especialmente devido à travessia desordenada e à imprudência no trânsito. “Em Viana, registamos recentemente 26 acidentes, com 14 mortos e 15 feridos. Luanda, embora com números menores, ainda enfrenta problemas graves em locais como a Sambizanga e a Avenida 21 de Janeiro, onde a falta de respeito às passadeiras e o comportamento imprudente dos motoristas são comuns“, afirmou Salazo.

Além disso, outros municípios, como Talatona, também apresentam números preocupantes, com 417 acidentes registados, resultando em dois mortos. As principais causas apontadas para os acidentes continuam a ser o excesso de velocidade, a travessia desordenada e o uso de telemóveis enquanto se conduz. O estado técnico dos veículos, muitos dos quais circulam em condições precárias, também foi destacado como um factor agravante.
Para combater este cenário, as autoridades têm intensificado a fiscalização, utilizando radares e realizando testes de alcoolemia, especialmente durante a noite. O Intendente Salazo sublinhou ainda a importância das campanhas de sensibilização em escolas e igrejas, com o objectivo de reduzir comportamentos de risco, principalmente entre os jovens.
Em entrevista ao Hold On Angola, Salazo enfatizou a necessidade de mais educação no trânsito, destacando que, apesar dos desafios, é possível melhorar a segurança nas vias da capital com investimentos em infraestrutura e mais conscientização. “Os acidentes de trânsito têm um impacto negativo não apenas nas famílias, mas também na economia local, afetando a infraestrutura e gerando prejuízos comerciais“, afirmou.
No mesmo fórum, o representante da seguradora Protteja Seguros, Pascoal Diogo, destacou o papel da empresa na promoção da responsabilidade social e na prevenção de acidentes. Diogo afirmou que iniciativas como o patrocínio a eventos culturais, como a apresentação da Orquestra Sinfónica, são uma forma de engajamento da empresa em causas sociais. “A Protteja acredita que a mudança começa pela educação. Respeitar o Código da Estrada, não beber ao volante e cuidar da manutenção dos veículos são passos essenciais para reduzir os acidentes rodoviários em Angola“, declarou.
A Protteja Seguros também reforçou a importância de eventos como o fórum, que ajudam a mudar a mentalidade da população. “Com mais educação e ações de conscientização, podemos alcançar o objetivo de ‘sinistros zero’ no país“, acrescentou Diogo.

Cláudio Revelas, Administrador Adjunto da Administração Municipal de Luanda, também participou do evento e fez um apelo à mudança de mentalidade da população. Ele frisou que a sinistralidade rodoviária é a segunda maior causa de mortes em Angola e que é urgente adotar medidas para reduzir os números alarmantes de acidentes. “Precisamos refletir sobre as normas e regras que garantam maior segurança nas vias. A educação no trânsito deve começar nas escolas, e a inclusão de pessoas com mobilidade reduzida nas campanhas de conscientização também é essencial“, afirmou Revelas.
O Administrador destacou ainda o papel dos músicos e artistas na disseminação da mensagem de segurança no trânsito, através da arte e da música. Além disso, mencionou o programa de ordenamento do trânsito que está a ser implementado pela administração de Luanda, que inclui ações educativas em escolas e bairros da cidade.

Amílcar Costa, diretor de Relações Institucionais e Responsabilidade da Pumangol, também se manifestou sobre a segurança rodoviária. Ele destacou a importância de mudar o comportamento tanto de motoristas quanto de pedestres para reduzir a sinistralidade no país. “A maioria dos acidentes é causada por comportamentos imprudentes. Precisamos mudar essas atitudes para garantir mais segurança nas estradas“, afirmou Costa.
Amilcar enfatizou que, embora a educação rodoviária seja importante, o essencial é que as pessoas realmente mudem a sua forma de agir no trânsito. “Precisamos agir com calma e respeito. A irritação no trânsito e o desrespeito às leis precisam ser combatidos“, sublinhou.
A Pumangol, alinhada com as acções de responsabilidade social, continuará a investir em iniciativas voltadas à segurança rodoviária, trabalhando em parceria com a polícia e o sector empresarial para avançar na redução de acidentes.
O Fórum de Responsabilidade Social Rodoviária foi uma oportunidade para reflectir sobre os desafios da sinistralidade em Angola e discutir soluções para garantir mais segurança nas vias do país. Com a participação de representantes do governo, da sociedade civil e do sector privado, o evento reforçou a importância da educação, fiscalização e mudanças de atitude para reduzir os acidentes e salvar vidas.
Como destacou Cláudio Revelas, “todos devemos contribuir para um trânsito mais seguro e garantir que todos voltem para casa em segurança“. A luta contra a sinistralidade rodoviária em Angola é um esforço coletivo, e eventos como este são fundamentais para promover a conscientização e a mudança de comportamentos nas ruas e estradas do país.
