O analista político Albino Pakisi afirmou que o presidente João Lourenço foi aconselhado por sua equipa a não participar no Congresso dos Bispos da Reconciliação Nacional, por receio de enfrentar críticas directas à sua governação.
Em entrevista conduzida pelo jornalista Coque Mukuta, Pakisi disse, nesta quinta-feira, 24 de Outubro, ao Portal O’Decreto, que, inicialmente, acreditou-se que a ausência do Chefe de Estado se devia a questões logísticas, mas, segundo fontes próximas, o verdadeiro motivo é de natureza política.
“O presidente foi aconselhado a não participar porque este congresso seria um espaço onde muitos diriam, cara a cara, o que pensam da forma como ele governa o país”, explicou o analista.
De acordo com Pakisi, a decisão do presidente demonstra falta de abertura para o diálogo e resistência à reconciliação nacional. “Eles podem falar de reconciliação, mas não querem reconciliação. Este congresso vai dar frutos e o país vai alinhar-se para empurrar o MPLA à parede até ao impulso final”, afirmou.
O analista sublinhou ainda que as igrejas, a juventude e a sociedade civil serão os principais motores da mudança política em Angola, independentemente da posição dos partidos. “O congresso não é para saber quem errou mais, mas para responder à pergunta do reverendo Tony Zinga: que país queremos construir amanhã?”, concluiu.
Segundo nota publicada pela Presidência da República, João Lourenço foi convidado pela CEAST, mas informou não poder participar, sendo substituído por um membro do Executivo. O encontro, previsto para Outubro, foi remarcado para os dias 6 e 7 de Novembro, no âmbito dos 50 anos da Independência Nacional.
