O político Filomeno Vieira Lopes foi reeleito, na madrugada desta Segunda-feira, 08, presidente do Bloco Democrático (BD), durante a V Convenção Nacional do partido, realizada em Talatona, província de Luanda.
Apesar de concorrer como candidato único, o dirigente obteve uma expressiva quantidade de votos contra, facto que, segundo fontes ligadas à comissão eleitoral independente, reflecte sinais de descontentamento no seio da militância.
Nesta convenção, apenas o secretário-geral, Muata Sebastião, foi eleito directamente pelos delegados, enquanto os cargos de presidente e vice-presidente foram escolhidos por votação dos militantes, representando uma inovação no panorama político nacional.
Contudo, devido a dificuldades no envio de dados das províncias para a capital, o nome do novo vice-presidente do partido ainda não foi confirmado, sendo a disputa travada entre Nelson Eduardo Guerra Pestana e Américo de Jesus Valentim Vaz.
Após a definição da nova liderança, o Bloco Democrático deverá reunir-se para clarificar a sua posição relativamente à Frente Patriótica Unida (FPU). No entanto, por imperativo legal, o BD terá de se retirar da FPU para poder concorrer de forma autónoma nas eleições gerais de 2027, sob pena de ser extinto da cena política nacional.
O partido não concorreu de forma isolada nas eleições de 2022, limitando-se a integrar alguns dos seus membros na lista da UNITA. Caso não volte a constar do boletim eleitoral em 2027, arrisca-se a perder o seu estatuto legal.
O Bloco Democrático foi fundado em 2010, após a extinção da Frente Para a Democracia (FpD), por não ter alcançado o mínimo de 0,5% dos votos exigidos por lei nas eleições gerais de 2008.
De acordo com informações recolhidas, uma das possibilidades em análise é a transformação do BD em movimento social, o que permitiria a sua permanência na FPU e a integração de alguns dos seus dirigentes nas listas eleitorais da UNITA.
