O Presidente da República (PR) e Titular do Poder Executivo (TPE) deu uma de ombros e agiu com a mais cínica e fria indiferença política à primeira fase da Greve Geral decretada entre os dias 20 e 22 de Março pela UNTA-CS, CGSILA e FORÇA SINDICAL.
Uma coisa ficou clara. Outra ficou demonstrada. Ficou claro que o Executivo está-se nas tintas no que à resolução dos problemas de todos aqueles que, bem ou mal, contribuem para o Produto Interno Bruto (PIB) angolano diz respeito.
Ficou demonstrado que o Governo lida com as centrais sindicais de forma discricionária. A atestar isto está a intimidação de que alguns funcionários sofreram e a detenção de que foram alvo outros, sobretudo em algumas regiões do interior do País.
O Governo industriou alguns apparatchiks ao seu dispor para desencorajar a greve geral, que – de acordo com an agenda a que tive acesso – prosseguirá dentro de momentos. Ou seja: em Abril a greve geral vai somar e seguir.
A greve é um Direito ínsito no estatuto jurídico-político vigente na República de Angola. E os trabalhadores angolanos têm todo direito de fazer jus ao mesmo. O caderno reivindicativo das centrais sindicais está sobre o tampo da mesa de trabalho do PR e TPE desde finais do segundo semestre do anos passado.
O PR e TPE tem de deixar de ser contumaz e “mimoso”. João Lourenço tem de ter maturidade e flexibilidade política suficientes para lidar com este direito dos trabalhadores angolanos, sob pena de, daqui para frente, governar o País com muitos greves pelo meio. Mesmo que intercaladas. E isto poderá solapar ainda mais a pouca popularidade de que goza e deixar cada vez pior a imagem do Executivo na fotografia.
