A Segurança Pública de Angola está, definitivamente, num trapézio sem rede. A recente execução pública do professor universitário Laurindo Vieira atesta isso mesmo. Aconteceu em plena luz do dia, na capital angolana. O sobredito assassinato está a gerar comoção, revolta, medo e insegurança de toda sorte entre os angolanos.
Não é assim que se corta o fio da vida de um quadro da dimensão de Laurindo Vieira. É assim que se encoraja intelectuais a abalarem do País para emprestarem o seu saber e fazer noutras geografias por falta de segurança e dignidade no seu próprio chão-Natal. Não era isso que se esperava de um País que se vê a braços com a falta de quadros qualificados. Não é assim que se deveria proceder num País que tem mais ardósias que quadros.
A execução de Laurindo Vieira lembra a dos jornalistas Simão Roberto, Ricardo de Mello e do político Mfulumpinga Landu Victor. Este último foi alvejado na mesma região do corpo que Laurindo Vieira. Uma região mortal. Coisas de profissionais que, alegadamente, usam balas tracejantes.
Figuras do “alto clero” do Estado angolano fizeram-se presentes ao local minutos depois de terem tomado conhecimento do facto ocorrido. Deixaram-no, criminosamente, esvair-se até ao último suspiro. Aconteceu na Avenida Revolução de Outubro em Luanda. O sol já tinha dado lugar à lua. E foi sob a luz lunar que Mfulumpinga (ma)Land(r)u Victor – como uma vez o tratou Carlos Mac-Mahon num debate parlamentar – deu o seu último suspiro. Foi o crime sem castigo da Revolução de Outubro.
As execuções sugerem terem tido motivações políticas, a julgar pelo modus operandis e a região do corpo em que as vítimas foram atingidas. Ninguém está seguro em Angola. Particularmente em Luanda. Qualquer um de nós está sujeito a ser abalroado por uma bala, sob pretexto de um assalto. A sorte de todos nós está em jogo. Qualquer um de nós pode, nas próximas horas, amanhã ou depois, ser mais um Laurindo Vieira, Simão Roberto, Ricardo de Mello ou Mfulumpinga Landu Victor.
A criminalidade violenta tomou conta de Luanda. Ela contrasta com o facto de os órgãos de Defesa e Segurança serem os maiores sorvedouros do Orçamento do Estado, com destaque para Polícia Nacional.
O Comandante-em-Chefe deveria usar o seu estilo autoritário e a sua capacidade de rancor para colocar ordem e disciplina nos órgãos de Defesa e Segurança nacionais que se transformaram num autêntico “bataclã”. Deveria fazer jus às suas competências para efectuar uma “varredura” em algumas instituições do Estado com destaque para a Polícia Nacional, SIC, SINSE e SIE. Urge exfiltrar todos aqueles que, à pala da autoridade destas instituições, cometem crimes (sem castigo) com motivações políticas.
Gritemos, em uníssono, para que parem de matar inermes cidadãos como se a vida humana fosse o bem menos precioso. É imperioso que os políticos e os principais protagonistas da Sociedade Civil induzam o Parlamento a discutir e a analisar o fenômeno de execuções em plena luz do dia, de modo a dizer ao Presidente da República que a criminalidade violenta tomou conta do País.
É preciso alertar ao Presidente da República que não se deve fiar naquilo que lhe diz quem responde pelo departamento ministerial que deveria cuidar da Segurança Pública angolana.
