O ex-presidente da Colômbia, Andrés Pastrana (1970-1974), foi detido por algumas horas no Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, em Luanda. Através da rede social X, o ex-chefe de Estado denunciou uma “detenção injustificada pelo governo angolano”.
Pastrana deslocava-se a Angola para participar numa conferência internacional sobre democracia, organizada pelo Partido Unido para a Liberdade e Dignidade (UNITA), principal força da oposição no país. Segundo o próprio, as autoridades angolanas impediram igualmente a entrada de outros políticos africanos convidados pela Fundação Brenthurst e pela Internacional Democrata Centrista (IDC-CDI), organização que preside.
Entre os detidos estavam também o ex-presidente do Botswana, Ian Khama, e Venâncio Mondlane, líder da oposição em Moçambique, que se autoproclamou vencedor das eleições de Outubro de 2024. “Estou aqui em frente à imigração há uma hora e ninguém me disse nada”, declarou Pastrana à revista colombiana *Semana*.
De acordo com a rádio colombiana Caracol, o ex-presidente aguardava esclarecimentos sobre a sua situação, sem qualquer justificação oficial por parte das autoridades angolanas. “Não sei para onde me estão a levar, nem quem está a vir aqui. Mas deviam, pelo menos, dizer-me o motivo da detenção”, afirmou.
Após algumas horas, Pastrana foi libertado, graças à intervenção do Cônsul Honorário da Colômbia em Luanda, Alexander Thompson, em coordenação com o Consulado colombiano em Pretória, África do Sul.
Tensões políticas em Angola
O incidente surge num momento de crescente contestação política em Angola. O país é governado pelo Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) desde a independência de Portugal, em 1975. Inicialmente um movimento armado de orientação marxista, o MPLA tornou-se um partido político, mas enfrenta críticas devido a acusações de corrupção e concentração de poder.
Nas eleições gerais de Agosto de 2022, João Lourenço foi reeleito com 51,17% dos votos, contra 43,95% da UNITA, na disputa mais renhida desde a instauração do multipartidarismo em 1992. A oposição contestou os resultados, alegando falta de transparência no processo eleitoral, o que tem acirrado ainda mais as tensões políticas no país.
A IDC-CDI, presidida por Pastrana, é uma aliança política internacional de centro-direita, da qual a UNITA faz parte, juntamente com partidos colombianos como o Partido Conservador e o Centro Democrático, fundado pelo ex-presidente Álvaro Uribe.
