“Estamos num período de turbulências há mais de 5 anos com o Presidente João Lourenço” – Jeiel de Freitas.

Em uma entrevista exclusiva ao fórum Essencial da Rádio Essencial, o analista político e activista Jeiel de Freitas expressou suas preocupações em relação às decisões recentes do presidente angolano, João Lourenço, sobre a construção de edifícios institucionais em Luanda por meio de adjudicações directas.

Ao ser questionado sobre a legitimidade das adjudicações directas, Jeiel de Freitas destacou que, embora aceite que o ajuste directo seja de lei, não é obrigatório. Ele argumentou que, ao optar repetidamente por esse método, o presidente está abrir espaço para a corrupção em níveis mais elevados. Freitas apontou que, embora a  Vera Daves e Nunes Júnior, defendam a medida como uma forma de evitar corrupção, no seu ponto vista, ela apenas desloca a corrupção para um nível macro, envolvendo o presidente e outros membros de alto escalão.

Jeiel de Freitas também levantou a questão das empresas beneficiadas por essas adjudicações directas, a citar exemplos como a Omatapalo, DAR Angola e Gemcorp. A preferência do presidente por certas empresas não se baseia na capacidade financeira, como evidenciado pelo caso da Gemcorp, que teve dificuldades em obter financiamento para um projecto específico.

O analista fala da preocupação com a falta de urgência em muitas dessas adjudicações directas, especialmente aquelas destinadas a projectos em Luanda. Ele contrastou a urgência questionável de certos projectos, como a requalificação da Base Naval de Luanda, em meio a uma série de desafios urgentes que requerem a atenção imediata como: “as famílias que estão ao relento, o fruto das chuvas em Luanda, os estudantes de ensino superior que estão 60 dias sem aulas, o alto índice de desemprego, que está a levar os jovens a delinquência e muitos deles ao suicídio, a diminuição da dívida pública, quer interna para potencializar o empresariado, quer a dívida a externa que têm subindo desde que o João Lourenço chegou ao poder e pagar os trabalhadores da função pública a tempo, para dar que a capacidade das famílias da sua própria gestão financeira”.

Jeiel de Freitas criticou a concentração desses investimentos na capital, que o presidente deveria estar focado na descentralização e no desenvolvimento equitativo de todas as províncias.

Na questão sobre o ambiente de negócios no contexto actual, Jeiel de Freitas destacou que as políticas actuais estão a favorecer a corrupção e prejudicar a classe média e baixa. Em vez de promover um ambiente favorável aos negócios, as decisões de João Lourenço estão a prejudicar a economia e afectar negativamente os empresários.

Para concluir, Jeiel de Freitas criticou as prioridades do governo, a enfatizar que a construção de infraestruturas para eventos internacionais não deve sobrepor-se às necessidades básicas da população. Ele questionou a eficácia dessas políticas, que o foco deveria ser nas pessoas e em políticas que realmente beneficiem a sociedade a curto prazo: “A prioridade da governação é sempre a pessoa humana, o próprio cidadão… Estamos num período de turbulência de mais de cinco anos com o presidente João Loureço, não é possível! As pessoas cansam-se. É importantes rever as políticas, senão nós vamos ter que pular do avião porque ninguém consegue turbulências por mais de 7 anos com o mesmo piloto, a nos dizer que tenham paciência.“

Licença: Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0)
Os conteúdos editoriais abrangidos por esta política podem ser republicados gratuitamente, desde que sejam respeitadas as condições de atribuição.

Artigos Relacionados

A carregar artigos relacionados...