O Exército da República Democrática do Congo (RDC) e os rebeldes do Movimento 23 de Março (M23), alegadamente apoiados pelo Ruanda, estão a reforçar posições militares em várias frentes no Leste do país, num cenário que especialistas alertam poder reavivar o conflito regional.
Segundo a Routers, fontes governamentais e rebeldes, centenas de combatentes estão a ser mobilizados para localidades fronteiriças com o Ruanda e Burundi, onde persistem confrontos apesar das tentativas de diálogo promovidas pelos Estados Unidos e pelo Qatar.
O movimento rebelde, que retomou armas em 2022, exige a libertação de prisioneiros e um acordo de partilha de poder nas áreas sob seu controlo. Já o governo do Presidente Félix Tshisekedi rejeita ceder autoridade em territórios ocupados ou libertar detidos.
Relatórios das Nações Unidas e de organizações de direitos humanos documentam centenas de execuções sumárias, casos de tortura e violações atribuídos a ambas as partes desde a assinatura de acordos preliminares em Washington e Doha.
Em Junho, os EUA mediaram um acordo entre Kinshasa e Kigali visando o fim do alegado apoio ruandês ao M23. Contudo, o processo sofre atrasos e falhas de implementação, agravados pela desconfiança entre os intervenientes.
Com o M23 a controlar zonas ricas em minerais estratégicos como ouro, coltan e estanho, e com mais de 7,8 milhões de deslocados internos, analistas consideram que o conflito continua a alimentar interesses económicos regionais e internacionais.
Apesar da pressão internacional, Kinshasa mantém alianças militares locais e recorre a empresas de segurança privadas, enquanto o Ruanda nega envolvimento direto, justificando as suas ações com preocupações de segurança face ao grupo FDLR, herdeiro de milícias hutus pós-genocídio de 1994.
