Em homenagem ao deputado Monteiro Reinaldo Eliseu: “Se a paz se resumisse no calar das armas!”

I

Quis o destino separar-te de nós, na semana da Paz;
Cessaram as hostilidades, mas não há reconciliação.
Em Angola só haverá, efectivamente, justiça e paz,
Quando nenhum estômago reclamar por falta de pão.

II

Sabemos que neste mundo estamos todos de passagem;
Mas, na linha do tempo, há homens intemporais,
Que nos deixam intensas memórias, cuja mensagem
Nos faz relembrar a história e o grito dos nossos ancestrais.

III

Oh! Quão pesada está a ser esta paz das armas,
Onde já não se ouve o trovar dos canhões.
Vinte e quatro anos se passaram, sem paz das almas,
Que tanto clamam pelo sossego dos corações.

IV

Na “Casa das Leis”, gravaste o teu nome;
Foste o mensageiro dos que não têm voz.
Foste o defensor do povo, que reclama por causa da fome;
Ai, que destino cruel deste mundo vil e atroz!

V

Oh! Quão efémera és tu, ó vida ingrata;
Quanta injustiça carregas nas tuas entranhas.
Monteiro é o exemplo de um homem democrata,
Que na sua vida galgou e venceu barreiras e montanhas.

VI

Se a tua partida foi obra da divina Providência,
Pois que assim seja feita a Sua vontade.
Foste o grande exemplo de fé, dignidade e resistência;
Da tua entrega, fica a nossa promessa de vitória e liberdade.

Luanda, 04 de Abril de 2026

Autoria: Maria Alice Sapalalo Chivemba

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