“Em Angola havia um prédio com um buraco de uma bomba e pessoas a viver lá”, diz ex-jogador do Recreativo da Caála

Hugo Firmino, actualmente no Amora, fez uma retrospectiva dos anos em que jogou em Angola, passando por clubes como Interclube, Recreativo da Caála e Kabuscorp. O avançado partilhou suas memórias com carinho, mas também revelou o impacto das condições de vida que enfrentou.

Firmino recorda os treinos ao fim da tarde devido ao calor intenso e os lanches simples que recebiam: “Bolas de berlim sem creme e um sumo de pacote. «Nós treinávamos ao fim da tarde por causa do calor e lembro-me que, no fim, davam-nos sempre um lanche: bolas de berlim sem creme e um sumo de pacote. O clube era no meio de um bairro e lembro-me perfeitamente que tínhamos sempre as crianças à porta do estádio a pedir-nos comida. É uma situação que te faz muita confusão numa primeira fase, mas depois, infelizmente, começas a habituar-te. É uma realidade pobre de um lado e muito rica do outro, a pobreza e a riqueza passam sempre pelas mesmas pessoas», começou por referir.

De acordo ao Jornal Zerozero, quando questionado sobre Luanda, Firmino descreve a capital como uma das mais caras para se viver na época, com uma infraestrutura impressionante e sem faltar nada aos jogadores. Em contraste, as condições em Caála eram muito mais precárias. «Na altura, Luanda era uma das capitais mais caras para se viver. Era incrível, tinha tudo e não nos faltava nada. Por seu lado, na Caála as condições eram muito mais precárias. Na primeira vez em que cheguei lá, fiz o caminho do aeroporto para o hotel e, em determinado momento, vi um prédio que tinha um buraco de uma bomba. Estava construído normal e num canto tinha uma bola/um buraco. Não sei se aquilo continua igual nem sei como é que aquilo se conseguia sustentar. A realidade é que ainda viviam lá pessoas, era possível ver roupa e essas coisas todas. Caála ficava na província de Huambo e esta foi uma das zonas mais afetadas pela guerra. Era comum ver-se paredes esburacadas e onde tinham caído bombas.» In Zerozero

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