O candidato da Lista C às eleições da Ordem dos Economistas de Angola (OEA) está no centro de uma forte polémica, após ser acusado de ter copiado integralmente o programa eleitoral da Ordem dos Economistas de Portugal, violando os princípios de ética e propriedade intelectual.
Segundo a nota da instituição, uma análise técnica comparativa revelou uma similaridade superior a 90% entre o manifesto da referida lista e o programa de governação do actual Bastonário da Ordem dos Economistas de Portugal, António Mendonça, referente ao pleito luso realizado em Dezembro de 2024.
Os dados partilhados pela organização indicam que o documento da Lista C apresenta uma reprodução integral da estrutura documental, dos três eixos estratégicos centrais e de múltiplos parágrafos da plataforma portuguesa. O relatório técnico aponta que houve uma substituição mecânica de termos territoriais, trocando as palavras “Portugal” por “Angola” e “português” por “angolano”.
Em termos de pormenor, o nível de similaridade atinge os 96% nos eixos de intervenção e varia entre 89% e 95% nas acções propostas e planos de actividades. A direcção da OEA considerou o padrão de correspondência textual uma fraude de proporções inaceitáveis e incompatível com os princípios de probidade, ética e honestidade profissional que regem a classe.
O comunicado deplora igualmente a postura da Comissão Eleitoral da OEA que, tendo sido atempadamente notificada sobre a denúncia antes do escrutínio, emitiu uma resposta vaga sem se debruçar sobre a verdade material dos factos. A agremiação classifica esta omissão de pronúncia como um vício procedimental grave que pode inquiná-la e retirar a legitimidade a todo o processo electivo.
O documento adverte que a eventual tomada de posse de uma candidatura sob suspeita de fraude causará danos reputacionais irreversíveis à imagem da OEA, tanto no plano nacional como no mercado internacional, normalizando a violação dos direitos de autor.
Face à gravidade da situação, a nota sublinha que os candidatos concorrentes das Listas A e B, sentindo-se lesados pela referida fraude, têm o dever moral de recorrer aos mecanismos contenciosos e processuais disponíveis para salvaguardar a dignidade da classe económica.
A fechar, a Ordem dos Economistas de Angola apelou ao órgão eleitoral para que reconsidere o seu posicionamento e emita uma decisão fundamentada, em respeito pelos princípios de boa administração e transparência, reiterando que os valores éticos que nortearam a fundação da OEA não são negociáveis.


