Edgar Kapapelo, representante adjunto da UNITA em Portugal, considera que os principais partidos políticos portugueses enfrentam uma crise de liderança profunda, marcada por uma desconexão crescente com os cidadãos e pela incapacidade de formular propostas mobilizadoras para a juventude.
Edgar Kapapelo observa que, ao contrário do CHEGA, nenhuma outra força política portuguesa tem tido a ousadia de enfrentar os temas que realmente inquietam os cidadãos. Na sua visão, os partidos tradicionais têm evitado posições claras, enquanto “as ideologias tradicionais já não mobilizam a juventude. Os partidos deixaram de pensar país e vivem mergulhados numa guerra de egos disfarçada”.
De acordo com a nota a que tivemos acesso, o dirigente da UNITA sustenta que, ao contrário do CHEGA, nenhum outro partido político português teve a ousadia de se posicionar com clareza, preferindo, em sua opinião, evitar os temas desconfortáveis que preocupam as populações. “Os partidos já não conseguem pensar o país. O que vemos é uma guerra de egos, camuflada, e o povo deixou de se rever neles. Os portugueses afastaram-se do Estado, e isso explica as elevadas margens de abstenção”, alertou.
Partidos tradicionais em “fase de declínio”
Para Kapapelo, o PS e o PSD atravessam um processo de desgaste que se reflecte na abstenção crescente e na desmobilização das suas bases. “Os partidos só sobrevivem com o apoio do povo, ingressando na sua militância”, alertou.
Em tom crítico, o responsável recorda com apreço figuras como Manuel Monteiro (CDS), Ribeiro e Castro e João Soares (PS), a quem reconhece contributos positivos nas relações com as comunidades africanas. No entanto, acusa directamente o PS de ter sido conivente com o regime angolano durante os períodos em que governou Portugal.
“Quando estão a governar, dizem que mantêm apenas relações institucionais com o governo de Angola e, por isso, nada podem fazer por nós. Mas eles conhecem bem a nossa miséria. Olhem o papel que o presidente Marcelo faz com o seu amigo João Lourenço”, denuncia. Edgar Kapapelo não poupou críticas ao Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, por manter, segundo diz, “uma postura cúmplice” com o seu homólogo angolano, João Lourenço.
“A nossa ideologia é Angola”
O representante da UNITA afirma que a luta política da diáspora angolana não deve submeter-se a critérios de alinhamento ideológico impostos de fora, defendendo a construção de um pensamento político próprio, ancorado na realidade nacional. “A nossa ideologia é Angola. Lutamos por Angola”, frisou.
Kapapelo admite ter sido criticado por propor uma frente lusófona envolvendo o português André Ventura (CHEGA) e o moçambicano Venâncio Mondlane, mas afirma que a prioridade deve ser Angola. “Quem ajudar Angola é bem-vindo. Quem se esconde nos cantos e fala bem de nós a sussurrar, esse também não presta. Um dia, teremos a oportunidade de criar as nossas próprias ideologias — e vocês, nossos amigos, vão aceitá-las. Mesmo que não o façam, serão, ainda assim, as nossas ideologias.”
