A dificuldade dos jovens angolanos em encontrar emprego nas áreas em que se formam é crescente, sobretudo para os cursos universitários com duração entre quatro e cinco anos, alertou o presidente da Associação dos Empreendedores de Angola, Jorge Baptista.
Em recente análise sobre o mercado de trabalho, Jorge Baptista apontou que, apesar de os jovens estarem mais escolarizados que a geração anterior, muitos não conseguem atuar na sua área de formação. Dados recentes indicam que quase metade dos jovens entre 15 e 24 anos está desempregada, enquanto uma parte significativa que trabalha está inserida no setor informal ou em atividades sem ligação direta ao curso frequentado.
Segundo Jorge Baptista, os cursos clássicos, como Direito, Economia e Ciências Sociais, enfrentam maior dificuldade devido à saturação do mercado e à fraca industrialização do país. A oferta de vagas na função pública e nas empresas privadas não acompanha o número de licenciados, criando um desfasamento preocupante.
Outro desafio apontado é a lacuna entre a formação académica e as competências exigidas pelas empresas. Muitos jovens saem da universidade sem experiência prática, domínio de ferramentas digitais ou conhecimentos específicos para o mercado.
Apesar deste panorama, Jorge Baptista destacou que existem oportunidades quando os jovens adaptam a sua formação às necessidades atuais do mercado, apostando em áreas como tecnologia, gestão prática, línguas, marketing digital e formação técnica.
O presidente da AEA, defendeu ainda que o Governo deve investir mais no ensino técnico-profissional e implementar programas de estágios para facilitar a integração dos recém-licenciados no mercado laboral.
“O diploma de um curso clássico em Angola hoje é visto mais como uma base de pensamento do que como uma garantia de profissão”, referiu, destacando a importância dos cursos técnicos para fornecer mão-de-obra qualificada e impulsionar o desenvolvimento económico do país.
