O presidente da República da Guiné-Bissau é um “moço” vulgar e politicamente impreparado para as funções que desempenha por equivoco. É malcriado. É intelectualmente anêmico. O seu comportamento é o de um filho gerado e não criado com o rigor moral que era suposto, possível e desejável. É moralmente pobre. Tão pobre que, quando lhe dá na real, transforma compartimentos do Palácio Presidencial em reles cabaré onde ele e a sua assessora de Imprensa suam e soltam “ais” de prazer ao trocarem fluídos corporais. Depois pousam em trajes menores, fazem uma selfie e disseminam nas Redes Sociais.Uma vergonha!
Umaro Embaló é, definitivamente, um problema para a solução dos inúmeros problemas da Pátria-Natal de Amílcar Cabral. A Guiné-Bissau é dos países lusófonos com mais problemas de instabilidade política e militar. Desde os primeiros anos da sua emancipação política. É considerado um Estado falhado. Há quem diga que o título de narco-Estado seja o mais adequado para defini-lo. É certo e seguro que não é o “moço” que está de presidente que irá resolver os principais problemas da Guiné-Bissau. Um “moço” que sequer consegue manter o normal funcionamento das instituições do Estado. Atira-se contra tudo e todos. Julga-se senhor absoluto, dono e barão (espero que não seja da droga) da Guiné-Bissau. Dividiu a Sociedade Política e Civil daquele país da África Ocidental com o escopo de melhor reinar.
Umaro Embaló é um equívoco político. Está a confundir ingenuamente a tolerância política dos cidadãos do seu País com alegado medo. Ledo engano! Umaro Embalo está a abusar. E com o povo bissau-guineense não se brinca. Quando toca a sargento, as suas kalashinikov’s cantam que nem Pavarotti. Umaro Embalo ignora quem foi António de Spínola e como foi militarmente derrotado e humilhado pelos bravos combatentes do PAIGC. Não tem o mínimo de cultura geral. Caso tivesse, teria mais respeito e consideração pelos cidadãos que o guindaram ao posto de Mais Alto Magistrado da Nação bissau-guineense. Um cargo que está a desonrar com toda a sua empáfia e impreparação cívica, moral e política.
Há poucas semanas atirou-se contra jornalistas. Primeiro proibiu as correspondentes da RTP-África e da RDP em Bissau, Indira Correia Baldé e Fátima Camara. Proibiu-as de cobrirem as actividades que ocorrem no Palácio presidencial. As jornalistas sentem-se inseguras. Vivem dias de medo. Passam o tempo, agora, a olhar por cima do ombro. Temem pela sua segurança. As direcções da RTP-África e da RDP não saíram em defesa das suas colaboradoras em Bissau. Estão caladinhas. Estranho! Muito estranho mesmo. Aos 13 de Julho, Umaro Embaló voltou a atacar. Aconteceu no “Aeroporto Internacional Osvaldo Vieira”, depois de ter acabado de chegar de uma viagem ao estrangeiro. Mandou o jornalista Ussumane Mané (ao serviço da Rádio Sol) para a cesta que se encontra(va)no alto dos mastros das caravelas, onde os vigias perscrutavam o horizonte em busca de sinais de terra.
O Sindicato de Jornalistas e Técnicos da Comunicação Social (SINJOTEC) reagiu. Tomou uma posição pública. O Fórum de Órgãos de Comunicação Social Privados da Guiné-Bissau (FOCSP-GB) solidarizou-se com o SINJOTEC. Estão, agora, a mobilizar os órgãos de Comunicação Social para boicotar todas as acções presidenciais. Estão a preparar-se para “exonerar” Umaro Embalo dos noticiários dos principais veículos de comunicação. Tivesse Umaro Embaló algum nível teria percebido que a sua luta contra os jornalistas é inglória. Que já a perdeu à partida. Tivesse visão ter-se-ia permitido olhar para a Guiné-Bissau como carroça e ele na condição de cocheiro com as rédeas sob seu (des)controlo.
Tivesse tacto político, decerto que já se teria apercebido que quem tem o chicote em mãos para que o cavalo ande, são os jornalistas. Que eles podem fazer a carroça perder o control. Podem fazer o cocheiro tombar da carroça, se entenderem chicotear com toda a sua força o lombo do bicho. Umaro Embalo tem as rédeas do País. Mas a sua ignorância política leva-o a ignorar que os jornalistas têm o chicote em sua posse. Umaro Embaló ainda não percebeu que vão liquidá-lo publicamente como político. Há coisas que, por manifesta ignorância, escapam ao domínio de Umaro Embalo.
Por exemplo, Umaro Embaló não sabe que os jornalistas têm o poder de divulgar informações e moldar a opinião pública. Desconhece que a Liberdade de Imprensa é o pilar principal da democracia. Ignora que os conflitos com os jornalistas estão a solapar a sua imagem a nível nacional e Internacional. O “moço” que está de presidente da Guiné-Bissau e um dia abotoou-se com uma considerável soma de dinheiro que o coronel líbio Muhammar Al Kadhafi lhe tinha confiado para o Estado bissau-guineense está no começo do seu fim. Umaro Embaló está a desintegrar-se. Só ele ainda não deu conta. A erosão da confiança pública e as críticas internacionais são sintomas disso.
*Artigo publicado original e inicialmente na edição desta quinta-feira, 25 de Julho, no semanário cabo-verdiano “A Nação”.
Jorge Eurico in “A Nação”
