Delegação da UNITA foi atacada na quarta-feira (11.06) em Galanga, Huambo, onde, há uma semana, o deputado Yakuvela foi agredido, supostamente por membros do MPLA. O governo provincial diz que o Huambo é uma zona de paz.
Um grupo de deputados da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), maior partido da oposição angolana, foi alvo de um ataque na manhã de quarta-feira (11.06), enquanto realizava uma visita a comités do partido e residências de militantes vandalizados no passado dia 30 de maio. A visita tinha como objetivo apurar os danos causados durante um episódio de violência em que o secretário provincial da UNITA foi agredido, alegadamente por membros do MPLA.
Segundo a vice-presidente do grupo parlamentar da UNITA, Albertina Ngolo, conhecida como Navita Ngolo, os agressores, oriundos do município do Londuimbale e que se identificaram como militantes do partido no poder, lançaram pedras contra a caravana parlamentar. A Polícia Nacional interveio utilizando gás lacrimogéneo, tendo detido dois dos atacantes.
A polícia tomou medidas para repelir esses grupos. Conseguimos levar dois detidos. Estavam albergados no Comité Municipal do MPLA, na Administração Municipal e numa escola, relatou a deputada.
De acordo com Navita Ngolo, oito membros da delegação parlamentar sofreram ferimentos, alguns com gravidade. A deputada revelou ainda que os detidos confessaram ter sido aliciados com promessas de dinheiro do programa Kwenda, uma iniciativa governamental destinada a apoiar famílias vulneráveis.
UNITA acusa MPLA de orquestrar ataque violento
A UNITA acusa os administradores municipais de Galanga e Londuimbale de estarem por detrás da mobilização dos agressores.
Pagaram-lhes algum dinheiro e prometeram acesso ao programa Kwenda. Estavam munidos de armas brancas, drogas e outros produtos tradicionais, denunciou Ngolo.
O ativista cívico Cruz de Deus, que testemunhou os acontecimentos, descreveu o ambiente no município da Galanga como um “estado de sítio” e criticou a passividade da Polícia Nacional, que, segundo ele, não impediu a montagem de barricadas nas imediações da unidade policial.
Houve uma guerra declarada contra a delegação da UNITA. Tudo sob o olhar impávido da Polícia Nacional, lamentou.
Apesar de terem passado 23 anos desde o fim da guerra civil, episódios de intolerância política continuam a ocorrer em Angola, com maior incidência no sul do país. Confrontos entre militantes da UNITA e do MPLA são reportados com frequência, por vezes com consequências fatais.
O silêncio da Polícia
O governador do Huambo, Pereira Alfredo, que também lidera o MPLA na província, afirmou que a região “prima pela paz”, mas reconheceu que os episódios de violência refletem feridas históricas ainda por sarar.
A história não se apaga. O sarar das feridas é um processo que levará o seu tempo, declarou.
Navita Ngolo, por sua vez, rejeita esta visão e considera que está em causa a disputa por uma praça eleitoral estratégica:
Temos vídeos de residentes a afirmar que os jovens envolvidos não são da zona. Isto está bem orquestrado.
Até ao momento, a Polícia Nacional não se pronunciou oficialmente sobre o incidente. A UNITA garante que irá avançar com processos-crime contra os autores e mandantes dos atos de violência. In DW
