Realizou-se no sábado, 30 de Agosto, no Auditório da Paróquia Nossa Senhora do Rosário, município de Cambambe, província do Cuanza Norte, uma conferência provincial da sociedade civil que juntou líderes religiosos, académicos, representantes partidários e activistas. O encontro, marcado por debates intensos, terminou com conclusões que, a serem ignoradas, podem desencadear actos de desobediência civil e até apelos a um governo de transição.
Durante as intervenções, destacou-se a exigência de igualdade no tratamento dos partidos políticos e maior transparência no escrutínio, defendendo que a contagem dos votos seja feita de forma vertical, começando nas comunas e subindo até ao nível nacional.
Foi ainda proposta a inclusão de representantes da sociedade civil, líderes religiosos e autoridades tradicionais na Comissão Nacional Eleitoral (CNE), assim como a implementação do voto electrónico nos próximos pleitos. Os participantes criticaram duramente a falta de preparação dos delegados de lista dos partidos, considerando esta fragilidade como reflexo da própria fraqueza das formações políticas que os indicam.
O ponto mais polémico do encontro partiu de Hilson António, um dos convidados, que advertiu: “caso a nossa proposta não for aceite, podemos partir para a desobediência eleitoral, isto é, não irmos votar, podemos partir ainda para a desobediência civil, isto é, não cumprirmos as leis, pois uma lei injusta não é digna de ser cumprida, podemos ainda ir mais longe e partirmos para a rebelião popular organizada e constituir-se um governo de transição liderado pela sociedade civil.”
No documento final, os delegados reafirmaram que a sociedade civil deve assumir-se como “alavanca para mudança” e intensificar campanhas de educação cívica e debates sobre transparência eleitoral. A agenda comum inclui acções como promoção do pacote legislativo eleitoral, debates comunitários, defesa das pessoas com albinismo, valorização cultural e protecção ambiental.
A conferência encerrou às 15h15, com a aprovação unânime da acta, e deixou claro que, se as vozes da sociedade civil continuarem a ser ignoradas, poderá haver escalada de tensão no país.
