Contrabando de Combustível: PGR ainda não constituiu arguido nenhum general, comissário da PN ou deputado, oito meses depois das denúncias do ministro Francisco Furtado

Decorridos oito meses sobre as denúncias do ministro de Estado e Chefe da Casa Militar da Presidência da República, Francisco Pereira Furtado, que garantiu haver envolvimento de altas figuras do aparelho do Estado na rede do contrabando de combustível no País, a Procuradoria-Geral da República (PGR), ainda não constituiu arguido nenhum general, oficial comissário da Polícia Nacional ou deputados à Assembleia Nacional, tal como acusou o Governo, soube o Novo Jornal junto de uma fonte da DNIAP.

Até agora, os nomes dos alegados envolvidos na rede organizada de contrabando de combustíveis, continuam guardados a “sete-chaves”, mas não há ainda arguidos constituídos.

Segundo a fonte do Novo Jornal, as investigações continuam e a PGR só irá torná-las públicas após a sua conclusão.

A fonte assegura que o guardião da legalidade se baseia em provas, e não suspeições, mas que o processo segue o seu rumo investigativo.

Questionado se há já algum general ou oficial comissário da Polícia Nacional constituído arguido pela Direcção Nacional de Investigação e Acção Penal (DINIAP), a fonte garantiu que ainda não, mas não descartou a possibilidade de isto vir acontecer.

O Novo Jornal perguntou igualmente se existe algum deputado neste processo e a fonte avançou que não, embora tenha realçado que um ex-deputado do MPLA, da província do Zaire, foi chamado para prestar declarações, mas não está arrolado como arguido.

Ao Novo Jornal, outra fonte explicou que a PGR não quer cometer o erro de acusar uma alta figura do aparelho do Estado e não conseguir provar em tribunal a acusação.

Segundo as fontes, tal cenário resulta da falta de provas materiais incriminatórias das pessoas visadas na acusação feita pelo general Francisco Furtado, ministro de Estado e Chefe da Casa Militar da Presidência da República.

“O fiscalizador da legalidade não trabalha com presunções nem especulações, trabalha com provas materiais. Daí muitas vezes o processo ser demorado para ser concluído, não é que não se esteja a trabalhar nele, estamos, sim”, afirma a fonte.

Em finais de Outubro de 2024, como noticiou o Novo Jornal e assegurado dias depois pela vice-PGR, a Procuradoria-Geral da República, através da DNIAP, começou a notificar algumas figuras do aparelho do Estado, supostamente envolvidas na rede do contrabando de combustível, alegadamente desmantelada pela Casa Militar do Presidente da República.

Conforme a fonte, as investigações prosseguem e algumas pessoas continuam a ser chamadas.

Segundo a denúncia da Casa Militar, entre os envolvidos estão governantes, antigos governantes, oficiais generais, oficiais comissários, autoridades administrativas, provinciais e municipais, bem como autoridades tradicionais.

Após a acusação da Casa Militar, o Presidente João Lourenço, durante o seu discurso à Nação, no Parlamento, em Outubro de 2024, acusou igualmente políticos e parlamentares de estarem envolvidos no contrabando de combustível, defendendo que devem ser “exemplarmente punidos”. In NJ

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