A confirmarem-se os rumores de uma possível ruptura entre ACJ e Nelito Ekuikui, estar-se-ia perante a primeira grande contrariedade interna na gestão dos potenciais sucessores à liderança da UNITA.
Com o congresso marcado para este ano, 2025, e com a vitória de ACJ praticamente garantida, os jovens turcos da UNITA vão, legitimamente, posicionando-se na esperança de começar a desenhar o momento pós-ACJ.
Entre os nomes bem vistos pela sociedade angolana, destacam-se Liberty Chiaka, Nelito Ekuikui, Adriano Sapinala e Faustino Mumbica. Qualquer um destes quadros tem perfil e experiência política suficientes para assumir os destinos da UNITA no período pós-Adalberto Costa Júnior.
Nelito Ekuikui venceu — e convenceu — em Luanda, território tradicional do rival, o todo-poderoso MPLA. Respeitado e admirado até pelos seus adversários políticos, o jovem político caminhava, com larga vantagem sobre os seus oponentes, rumo à presidência da UNITA. Entretanto, e para desagrado da massa associativa dos “maninhos”, ACJ trava o passo do jovem “máquina” de nome Nelito Ekuikui e impõe Sapinala em Luanda — num sinal claro da sua preferência pelo filho de um dos fundadores da UNITA, o mais velho Samuel Tchiuale. Até porque, com os filhos do patrono da UNITA, Jonas Savimbi, as relações estão, indiscutivelmente, no pior dos estados.
ACJ sabe que precisa de garantir uma transição tranquila. Para isso, necessita da cobertura de Lukamba Gato, Ernesto Mulato, general Numa e Samuel Tchiuale. Na verdade, esse grupo de militantes seniores são os verdadeiros decisores dentro da UNITA. Contudo, com o tempo a passar e com a vitória da UNITA cada vez mais distante, os mais velhos têm demonstrado sinais de cansaço quanto à esperança de chegarem ao Governo. E como a vida não espera, os anos acumulam-se e a idade pesa, a agenda da sobrevivência económica acaba por substituir os anseios e aspirações políticas.
Papo recto: nenhum dos Mais Velhos chegará à presidência do partido. Já combateram o suficiente. É tempo de descansar — e de usufruir não apenas dos benefícios oficiais, mas sobretudo dos oficiosos.
Ora, esta postura dos mais velhos contrasta com a necessidade imperiosa de mudança na governação, identificada e defendida pela maioria dos jovens em Angola, incluindo os jovens turcos da UNITA.
Encalhado numa saia justa, ACJ tem de fazer o menos difícil: gerir a ambição dos jovens versus a acomodação material dos mais velhos. E, na tentativa de encontrar uma equação segura, o presidente da UNITA opta por uma fuga para a frente — deixando cair a sua própria “bulldozer”, aquele que durante anos fez o árduo trabalho de desbravar terrenos argilosos, dominados pelo adversário.
É claro que Nelito Ekuikui nunca ganharia numa disputa directa contra ACJ. No entanto, seria, muito provavelmente, o vencedor de um mano a mano directo entre os turcos da UNITA. Entre os jovens é uma certeza, Nelito Ekuikui é um dos líderes mais aceite dos tempos actuais.
