Os membros do Comité Central da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) condicionaram a renovação da confiança política no presidente do partido, Nimi-a-Nsimbi, ao cumprimento rigoroso dos estatutos e à adopção de uma postura de elevação política, tendo em vista a preparação do VI Congresso Ordinário, previsto para este ano.
A posição foi tornada pública esta quinta-feira, em conferência de imprensa, por Ndonda Nzinga, que leu o comunicado dos membros do Comité Central, sublinhando que a condução do partido deve obedecer estritamente às normas estatutárias, sob pena de agravamento da crise interna.
Segundo o documento, a confiança política só poderá ser restabelecida caso o presidente da FNLA assuma o compromisso de respeitar os estatutos e garantir o funcionamento regular dos órgãos centrais do partido, permitindo que todos “naveguem juntos rumo ao VI Congresso Ordinário”.
Os membros do Comité Central recordam que, em Dezembro de 2025, foi retirada a confiança política ao líder do partido, devido à alegada violação sistemática dos estatutos, tendo sido igualmente rejeitada a sua candidatura às eleições gerais de 2027.
Ndonda Nzinga revelou ainda que foi concedida uma moratória de um mês para a convocação de uma nova reunião do Comité Central, advertindo que o incumprimento poderia conduzir à destituição do presidente. No entanto, passados vários dias após o término do prazo, a situação permanece indefinida.
De acordo com os membros do Comité Central, o presidente continua “irredutível e inflexível”, bloqueando o normal funcionamento do partido, adiando reuniões e inviabilizando os preparativos do VI Congresso Ordinário, o que, no seu entender, compromete a unidade e a reconciliação interna da FNLA.
O comunicado acusa ainda a liderança de instaurar práticas contrárias à democracia interna, apontando irregularidades na convocação dos órgãos, má gestão de recursos e ausência de actividades políticas consistentes.
Face ao agravamento da crise, os membros do Comité Central afirmam sentir-se moralmente obrigados a “salvar a FNLA”, destacando o papel histórico do partido na luta pela independência nacional e defendendo a necessidade de repensar a organização para responder às exigências actuais do país.
Por sua vez, Nimi-a-Nsimbi rejeitou as acusações, assegurando que a convocação do congresso está dentro dos prazos legais, atribuindo a crise interna a uma campanha promovida por membros influentes com o objectivo de fragilizar a sua liderança. O dirigente justificou ainda o adiamento de reuniões com as dificuldades financeiras decorrentes do montante mensal atribuído pelo Governo ao partido.
