A cólera é uma doença grave, diretamente ligada à falta de saneamento básico e de acesso à água potável. O governo deveria tratar esse problema com seriedade, investindo em medidas eficazes para erradicar a doença. No entanto, a realidade mostra o contrário: em vez de criar condições para combater a cólera, as autoridades limitam-se a discursos vazios e medidas ineficazes.
Enquanto o governo pede à população que mantenha as casas limpas, as cidades estão inundadas de lixo devido à falta de uma política eficiente de coleta e gestão de resíduos. A higiene não depende apenas do esforço individual, mas de infraestruturas e serviços básicos que deveriam ser garantidos pelo Estado.
A água, que deveria ser um direito fundamental e um aliado no combate à cólera, continua inacessível para milhões de angolanos. Em muitas comunidades, ter acesso à água potável é um privilégio, não um direito. Sem água, como se exige que as pessoas mantenham a higiene necessária para evitar surtos da doença? Como garantir que os hospitais e centros de saúde tenham condições mínimas para tratar os doentes?
A verdade é que a cólera persiste porque persiste a pobreza extrema. A negligência do governo na criação de condições sanitárias adequadas e na disponibilização de água de qualidade coloca em risco a vida de milhares de angolanos. O combate à cólera não se faz apenas com recomendações à população, mas sim com ações concretas: saneamento básico eficiente, distribuição de água potável e um sistema de saúde capaz de responder às emergências.
A pergunta que fica é: até quando a população pagará com a própria vida pela incompetência do governo?
Por Gestor Sakalumbo José Juliano
