Cólera é filha dos robôs da política – Jorge Eurico

Recentemente o Governo Sombra da UNITA “chamou um nervo” por causa de uma doença de “países porcos” que se está a espalhar nas províncias de Luanda e Icolo e Bengo qual fogo sobre capim seco: A cólera! A doença já matou quinze pessoas. Existem cento e setenta casos suspeitos e trinta confirmados. A ministra da Saúde andou a jactar-se toda prosa e prazenteira por se ter apostado na medicina robótica. A maleita acabou com essa falsa vaidade.

A cólera está a matar feio. O caso é grave! O Galo Negro “surtou” por isso. A falta de água e saneamento básico constituem a mola propulsora da doença. Sem esquecer da pobreza extrema. São três os culpados da situação: Os cidadãos, o Executivo e sobretudo a UNITA. Há quem não saiba. Mas uma das estratégias políticas da UNITA durante o período de guerra consistia em transformar Luanda numa “bomba atómica social”. Sufocar a capital do País.

O plano era simples: Aterrorizar os habitantes de comunas, vilas e províncias do interior de modo a empurrá-los para a capital do País em busca de refúgio e segurança. Era uma forma de pressionar o Governo e consequentemente criar uma crise social, económica e política. A UNITA conseguiu, em parte, alcançar o seu objectivo. Só faltou a sublevação.

Luanda foi originalmente projectada para albergar trezentas mil pessoas. Hoje tem cerca de dez milhões. Está a (ar)rebentar pelas costuras. Não há qualidade de vida. A densidade populacional e a construção desordenada inviabilizam a construção de infraestruturas para distribuição de luz e água para todos. Não há condições para responder a demanda. A falta de água e saneamento básico abrem portas para cólera.

A responsabilidade das vítimas da cólera deve ser solidária: O Galo Negro também têm culpas no cartório. De nada serve agitar a crista, agitar as asas, fazer poeira e criticar o Executivo. Até porque galo de briga não se faz de boa rinha. É preciso contribuir com soluções para se acabar com a endemia que a assola a vida do País.

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