
A circulação do saber influencia, de modo decisivo, o desenvolvimento de uma Nação, defende o editor Arlindo Isabel, que considera ter sido essa a razão pela qual Agostinho Neto apostou em campanhas de alfabetização, massificou o ensino e decretou a sua gratuitidade.
Para o editor da Mayamba, Angola não possuía, até à independência, proclamada a 11 de Novembro de 1975, uma tradição ligada à literatura. (…) “nós tínhamos uma tradição oral, mas, como se sabe, a literatura não pode ser elitista, é algo que está intrinsecamente ligado ao conhecimento”.
Sem abrir mão do postulado fundador da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) – é na mente dos homens que nascem as guerras e é na mente dos homens que deve ser erguida a defesa da paz – Arlindo Isabel lança um repto: as pessoas têm de saber ler e escrever, para desenvolver o espírito de tolerância e de maior flexibilidade.
No mês em que se assinala o Dia da Literatura Infantil, reconhece a exiguidade de obras infantis no país, pelo facto de que “escrever para crianças exige vocação especial, formação pedagógica e uma destreza maior”, mas reforça “não há educação sólida se não for apoiada por bons livros”.
Por isso, lamenta o facto de o Decreto da Política do Livro e da Promoção da Leitura Pública, que estabelece a compra pelo Estado de 20 por cento de toda a primeira edição, ainda não estar a ser implementado, enquanto instrumento que poderia permitir que se praticassem preços mais concorrenciais.
Fonte: Angop