Bloco Democrático traça estratégias para derrotar a autocracia em 2027

O presidente do Bloco Democrático, Filomeno Vieira Lopes, discursou nesta sexta-feira, 31.01, no Nono Conselho Nacional do partido, destacando os desafios socioeconómicos enfrentados pelo povo angolano e a necessidade de organização política para as eleições de 2027.

Vieira Lopes iniciou a sua intervenção denunciando o actual regime como uma “autocracia” que perpetua o poder, independentemente dos resultados eleitorais. Segundo ele, a actual legislatura tem sido marcada por uma maior taxa de desemprego, um aumento da dívida externa e interna e um reforço dos mecanismos de um partido único. O líder do Bloco Democrático salientou que as dificuldades sociais são agravadas pelo contexto internacional, incluindo conflitos na África Austral, que desviam recursos essenciais para a implementação de agendas sociais.

“As desigualdades, que já aumentaram ao longo deste século, continuarão a crescer. O Bloco Democrático precisa estar atento às dinâmicas internas e internacionais e identificar os momentos para a inflexão”, afirmou. Para o presidente do Bloco Democrático, o pleito de 2027 representa uma oportunidade crucial para derrotar a autocracia e mudar os rumos do país.

O discurso também abordou a necessidade de preparação e organização do partido para enfrentar este desafio. “Queremos resolver o nosso problema em 2027, mas precisamos definir os instrumentos para tal”, declarou. O Conselho Nacional, segundo ele, tem um papel essencial na formulação de estratégias e no fortalecimento da estrutura partidária.

Vieira Lopes reconheceu falhas na organização do evento, mas elogiou os esforços para concretizá-lo. Ele destacou a importância de debates tranquilos e assertivos, alertando para a necessidade de maturidade política entre os membros do partido. “Ainda há dificuldades na partilha de ideias e uma tendência ao egocentrismo no debate político”, disse.

Outro ponto central foi a situação da Frente Patriótica Unida (FPU), coligação da qual o Bloco Democrático faz parte. Vieira Lopes mencionou desafios internos, incluindo desconfianças e divergências sobre os caminhos a seguir, e defendeu uma discussão profunda e serena para encontrar soluções.

O presidente do Bloco Democrático também criticou a limitação das liberdades democráticas no país, apontando que a falta de um verdadeiro Estado de Direito dificulta a actuação do partido. “Nossa luta é garantir que o voto nunca seja roubado no nosso país”, enfatizou.

Ao encerrar o seu discurso, Vieira Lopes expressou esperança de que os trabalhos do Conselho Nacional resultem em decisões estratégicas para o futuro político do Bloco Democrático e da oposição em Angola.

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