O Bloco Democrático (BD) defendeu, nesta segunda-feira, 04, a criação de uma comissão independente de inquérito, com participação da sociedade civil, Ordem dos Advogados de Angola (OAA) e das Nações Unidas, com vista a apurar responsabilidades criminais e administrativas relacionadas com as mortes registadas durante a recente greve dos taxistas.
Em conferência de imprensa, realizada em Luanda, o presidente do BD, Filomeno Vieira Lopes, revelou possuir informações documentadas segundo as quais mais de 40 cidadãos terão sido mortos a sangue frio por efectivos das forças de defesa e segurança, durante os confrontos registados nos dias da paralisação.
“Há centenas de feridos, muitos dos quais com sequelas físicas irreversíveis e sem acesso a cuidados médicos”, denunciou o dirigente, lamentando o que considerou ser um “silêncio ensurdecedor” por parte da Procuradoria-Geral da República (PGR), que, segundo referiu, “já deveria ter instaurado processos, face às denúncias públicas de crimes cometidos em nome do Estado angolano”.
Filomeno Vieira Lopes sublinhou que os problemas estruturais como a fome, pobreza e exclusão social continuam a ser as causas profundas da instabilidade, e acusou o Executivo de evitar reconhecê-las por “vergonha e incompetência”.
O político alertou que a tensão no país poderá agravar-se, caso não sejam tomadas medidas urgentes para restaurar a confiança nas instituições e melhorar o ambiente político.
Recordou que, em 1992, a então Frente Para a Democracia (FPD), antecessora do Bloco Democrático, apresentou propostas concretas à coligação governante e à UNITA para converter a tensão militar em tensão política, iniciativa que, segundo afirmou, foi ignorada pelo antigo Presidente da República, José Eduardo dos Santos.
Na ocasião, apelou ao partido no poder para não repetir os erros do passado que, segundo ele, empurraram o país para o conflito armado, e lançou um repto para um pacto nacional assente na dignidade e cidadania.
“A comunidade internacional deve ultrapassar os seus interesses imediatos e posicionar-se do lado dos direitos humanos, como já foi sinalizado pelas Nações Unidas. Angola não precisa de mais tiros”, concluiu o presidente do BD. In NJ
