O cenário político angolano é frequentemente dominado pelos holofotes sobre os dois maiores partidos, deixando outras forças politcas na penumbra.
No entanto, o Bloco Democrático (BD), uma formação política que para muitos passava despercebida, emergiu recentemente como alvo de ataques. Ataques que são feitos de vários formatos, desde a não transmissão dos seus eventos politicos na midia pública e aparentados, rotulagem de insignificância politica por comentadores editados, aliciamento aos seus militantes e, agora em vésperas da sua V° Convençáo, ataques directo ao seu Presidente e questionamento dos valores do BD, como a Democracia e a sua integridade política.
Essa mudança de postura levanta questões cruciais sobre o que está por detrás dessa súbita atenção e o que isso significa para o futuro político do partido e de Angola.
Por anos, o Bloco Democrático operou com uma visibilidade relativamente baixa, focando-se em suas actividades internas, no processo de alargamento das suas bases, e na defesa das causas sociais e dos movimentos reivindicativos, sem grande alarde.
Contudo, essa discrição parece ter chegado ao fim. Os ataques recentes sugerem que a movimentação do Bloco Democrático pelo país, com acções já visíveis, em que se destacam a articulação com as organizações da Sociedade Civil, o empenho na defesa dos grupos minoritários, a pronta reacção, através de comunicado pontuais e precisos aos reiteirados actos do regime de violação dos direitos dos cidadãos, a presença do BD na Frente Patriotica Unida (FPU), sendo co-artífice desta plataforma politica e a imagem de integridade politica que empresta a esta plataforma politica ad hoc, incomodam os nefastos artifices da ditadura.
Informações apuradas revelam que o BD é o ideólogo da maior parte dos projectos de lei apresentados pelo maior partido da oposição na Assembleia Nacional e a sua sua visão política bastante dinâmica e contextual tem ajudado a grangear pontos pontos positivos para a actuação da FPU, nomeadamente no parlamento.
Ressalta-se o facto de o Bloco Democrático ter integrado, a partir de 2017, a coligação CASA-CE, fundada por Abel Chivukuvuku, e com o afastamento deste, o BD ter sido a única força política que garantiu alguma integridade politica àquela coligação e, o certo é que, a sua retirada da coligação, por incompatibilidade de estratégia política e defesa do interesse nacional, constituiu o golpe fatal e final que culminou com o revés que foram os resultados que a CASA-CE obteve nas eleições de 2022.
O BD encontra-se, nesta altura, a preparar a sua V Convençáo Nacional, que terá lugar em Agosto deste ano. O BD é a única força política que no presente momento tem um posicionamento claro sobre necessidade de FPU se constituir numa coligação formal, e tem uma posição muita clara, apelando às forças politicas na oposição para a constituição de uma frente credível que possa contrariar os impetos do partido no poder.
Em entrevista recente, concedida à uma estação radiofónica, o presidente do BD foi confrontado, em primeira mão, com a informação segundo a qual estaria a inibir militantes a apresentar candidaturas a Vª Convenção Nacional. O mesmo roteiro temático foi replicado num dos jornais digitais onde, de forma tendenciosa, se questiona a democracia, transparência e a integridade, que são conhecidas marcas da acção politica do partido.
Face a tudo isto, mais ou menos coisas, o BD se constituiu num alvo, foi percebido algo no BD que agora o torna uma ameaça ou um obstáculo. Seria o crescimento da sua base de apoio? Ou talvez a articulação de uma mensagem que, até então, não era vista como preocupante?
É fundamental que a sociedade civil, a imprensa e os observadores conscientes acompanhem de perto essa situação.
A perseguição a partidos políticos, independentemente do seu tamanho ou histórico, é um sinal de alerta para a saúde da democracia. Em um ambiente político saudável, o debate de ideias e a existência de uma oposição forte são pilares essenciais.
Os ataques que começam a ser projectados contra o Bloco Democrático podem ter diversas motivações. Podem ser uma tentativa de silenciar vozes críticas antes que elas ganhem mais força, de descredibilizar a oposição, ou até mesmo um ensaio para táticas de desestabilização desta força politica que esta visivelmente em ascensão, e cuja actuação política representa rigor e seriedade na luta em defesas dos angolanos.
Este é o momento de questionar, analisar e exigir transparência. O que exactamente o Bloco Democrático fez para se tornar alvo dessa campanha de descrédito?
Aqui é chamada a opinião pública, que tem um papel crucial de exigir respostas e de defender o espaço público para a pluralidade política em Angola. O caso do Bloco Democrático pode ser um termômetro para a Estado Democrático de Direito, para a liberdade de expressão e de associação no país.
Por Simão Afonso
