O Bloco Democrático (BD) manifestou preocupação com o avanço do surto de cólera que teve origem no Paraíso, município de Cacuaco, e foi oficialmente declarado pelo Executivo há 14 dias, em 7 de janeiro de 2025. A situação, segundo o BD, permanece fora de controle, com registro de novos casos e uma expansão geográfica que agora atinge as províncias de Luanda, Bengo, Icolo e Bengo, além de Malanje. Até o momento, foram contabilizados 576 casos e 29 óbitos.
O partido atribui a responsabilidade pela crise ao Executivo liderado por João Lourenço, apontando falhas na implementação de medidas preventivas e na gestão de saúde pública. O comunicado do BD destaca que surtos de doenças, algumas erradicadas no período colonial, têm se tornado recorrentes no país devido ao que classificam como “descaso governativo”.
O BD relembra o grave surto de cólera de 2011, que resultou em 181 mortes, e critica o que considera ser a incapacidade estrutural do governo. Para o partido, a continuidade do mesmo grupo político no poder há 50 anos é um dos fatores que contribuem para as sucessivas crises de saúde, fome, desemprego e outros problemas sociais.
A cólera, conforme salientado pelo BD, é reflexo de um sistema incapaz de fornecer água potável e saneamento básico à população, condições que deveriam ser garantidas em um país em paz há mais de 20 anos e com recursos abundantes. O partido classifica a situação como uma “vergonha” para Angola no século XXI.
O comunicado detalha que a transmissão da cólera ocorre, principalmente, pelo consumo de água contaminada e alimentos infectados, além do contato direto ou indireto com fezes humanas. A ausência de saneamento básico, água potável, condições de higiene e educação para a saúde são apontadas como fatores que criam um ambiente propício para surtos da doença.
O Bloco Democrático encerra com críticas contundentes à gestão pública, afirmando que, em cinco décadas, o Executivo não conseguiu implementar políticas essenciais para melhorar as condições de vida da população, destacando a falta de acesso a água potável e saneamento básico como falhas estruturais que agravam a vulnerabilidade dos angolanos.
