O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) aprovou um financiamento de 31 milhões de dólares para fortalecer a resiliência climática em vários países africanos, incluindo Serra Leoa, Sudão do Sul, Djibuti e Madagáscar. Este apoio faz parte da Janela Africana de Acção Climática (CAW, sigla em inglês) e tem como objectivo ajudar as nações mais vulneráveis a combater as alterações climáticas.
iniciativa está integrada no Fundo Africano de Desenvolvimento, o braço concessional do BAD, que visa mobilizar 4 mil milhões de dólares até finais de 2025 para financiar acções relacionadas com as questões climáticas, com prioridade para países afectados por conflitos.
Segundo a revista Further África, dos 31 milhões de dólares aprovados, a Serra Leoa receberá 5 milhões para projectos de água e saneamento, beneficiando cerca de 700 mil pessoas. A iniciativa inclui a implementação de um sistema de alerta precoce para reduzir riscos de catástrofes e um mapa interactivo para melhorar a gestão das inundações na península de Freetown.
Além disso, o país receberá 9,4 milhões de dólares para um programa de transformação agro-alimentar. Este programa visa reabilitar 1.200 hectares de terra, melhorar a segurança alimentar e capacitar agricultores com técnicas agrícolas adaptadas ao clima.
Djibuti, por sua vez, receberá 7,5 milhões de dólares para apoiar o empreendedorismo juvenil, melhorar a horticultura e os sistemas pastoris. O objectivo é aumentar a auto-suficiência alimentar do país, criar 3500 postos de trabalho permanentes e fomentar a criação de novas microempresas, fortalecendo assim a economia local.
Em Madagáscar, o BAD irá investir 9,4 milhões de dólares na restauração de parques nacionais como Lokobe, Nozy Hara e Andringitra. A iniciativa tem como meta reduzir 10 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂), criar empregos verdes e aumentar a produtividade agrícola nas comunidades vizinhas.
A CAW tem como missão reduzir 720 mil toneladas de emissões de CO₂, criar 180 mil postos de trabalho e capacitar 90 mil agricultores em práticas agrícolas inteligentes. Estas acções contribuirão para o desenvolvimento económico e para a sustentabilidade ambiental no continente africano.
O vice-presidente do BAD, Kevin Kariuki, destacou que a CAW está a “catalisar soluções transformadoras” nas regiões mais vulneráveis ao clima, enfatizando que, através dos investimentos do banco, as comunidades estarão mais preparadas para enfrentar choques climáticos, criar empregos e acelerar o crescimento económico inclusivo.
Por seu turno, Anthony Nyong, director do BAD para as Alterações Climáticas, sublinhou que o financiamento vai além do combate àquelas, salientando que as iniciativas visam capacitar as comunidades para assumirem o controlo do seu futuro. Nyong concluiu reconhecendo o CAW como “uma tábua de salvação” para as regiões mais afectadas pelas alterações climáticas no continente africano.
Angola beneficia de 79,08 milhões de dólares
Angola está a beneficiar de um empréstimo de 79,08 milhões de dólares para promover o empreendedorismo e a capacidade de emprego dos jovens nos setores da agricultura e dos transportes.
O financiamento, aprovado no final do ano passado pelo Conselho de Administração do Grupo Banco Africano de Desenvolvimento, cobriu aproximadamente dois terços (63,4%) do Projeto de Emprego dos Jovens de Angola (AYEP ou “Projeto Crescer”), no valor total de 124,68 milhões de dólares, com co-participação do Governo de Angola (que contribui com 23,3%) e pelo setor privado (0,4%).
O AYEP, a ser implementado durante um período de cinco anos (2025-2029), tem como objetivo desenvolver competências digitais, técnicas, ecológicas e empresariais orientadas para a procura, o estímulo da criatividade e a inovação entre os jovens e o apoio às startups no acesso a financiamento inovador.
Melhorará também o ambiente operacional para as empresas e ajudará a desenvolver a capacidade institucional no domínio dos contratos públicos.
O projeto formará mais de 95.000 jovens em tecnologias digitais e no ensino e formação técnico-profissional em agricultura e transportes inteligentes do ponto de vista climático.
Plano Nacional de Desenvolvimento 2023-2027
A execução do projeto contribuirá para o Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) 2023-2027 do país, que visa promover uma economia sustentável, direcionada e inclusiva, menos dependente das receitas do petróleo.
“O Banco está empenhado em apoiar Angola no seu processo de diversificação económica. A nossa estratégia, recentemente aprovada, identifica a agricultura como o motor do crescimento em Angola, complementada pelo investimento em infraestruturas sustentáveis”, afirmou Pietro Toigo, representante residente do BAD em Angola. “Este projeto garantirá que os jovens e as mulheres não sejam deixados para trás pelo processo de transformação económica, ao estarem preparados para competir no mercado de trabalho e garantir empregos dignos”, acrescentou.
Angola tem o segundo crescimento populacional mais rápido de África e os jovens específicos metade dos 35 milhões de habitantes de Angola. O sector agrícola emprega mais de 50% da mão de obra total (56,3% em 2022), enquanto o sector dos transportes tem potencial para criar numerosos postos de trabalho através das suas cadeias de valor, numa altura em que o país está a transformar-se cada vez mais num dos principais centros logísticos de África.
O projecto será implementado em oito províncias do país – Luanda, Huíla, Huambo, Benguela, Cabinda, Cuanza Sul, Bié e Malanje – todas elas com áreas agrícolas ecológicas de elevado potencial, muitas localizadas ao longo do Corredor do Lobito, com capacidade de processamento e instituições de formação em crescimento.
Desde o início das suas transações em Angola, em 1980, o Grupo Banco Africano de Desenvolvimento aprovou um total de mais de 3 mil milhões de dólares para projetos de desenvolvimento no país.
