“As pessoas às vezes ficam zangadas quando digo que não me sinto político” – Abel Chivukuvuku

Na sua biblioteca, em casa, o gosto por livros e o entusiasmo com que partilha os seus projectos editoriais representam a vontade de um animal político que apenas queria manter uma amena cavaqueira fora do seu habitat. Abel Chivukuvuku Vidas e mortes; é o mote da nossa conversa, até porque, pela primeira vez, o biografado fala da concepção da obra e da amizade com o autor, com quem partilha características comuns. O livro será lançado no dia 15 de Novembro, no Camões – Centro Cultural Português.

Como nasceu a ideia da biografia?

Eu tenho um sentimento de gratidão para com José Eduardo Agualusa. Conversámos para a possibilidade de fazermos fragmentos da minha biografia. O meu entendimento é que não devia ser eu próprio a contar a minha vida. Este livro tem três segmentos: o primeiro tem a ver com fragmentos da minha vida, porque ainda existem outros fragmentos, que vamos publicar mais tarde. Também se faz um relato histórico sobre o Reino do Bailundo, por eu ser de lá e parte da família real do Bailundo. Como fazemos parte da história de Angola, também quis [o autor] retratar determinados episódios da história de Angola.

De quem partiu a ideia?

É mais ou menos dos dois, há coisa de três anos. Primeiro somos contemporâneos, apesar de ele [autor] ser um pouco mais novo do que eu, e depois somos também conterrâneos, somos todos do Huambo. Portanto, isso criou uma espécie de identidade. É verdade que também eu aprecio o estilo de escrita do Agualusa, que é um bocado ligeiro, fácil de ler. Ele fez um livro em que a biografia não segue o sentido cronológico… não começa sequer com a minha nascença, vai para frente, vem para trás, dependente dos principais episódios da minha vida. Por exemplo, o livro começa com os episódios de Luanda, de 1992, depois volta para as minhas origens… É interessante lê-lo porque não é como se faz sempre, que é cronológico… NJ

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