Ao cair da tarde, Jonas Savimbi lembrava Samanjolo

23 de Junho de 2025. A luz do entardecer repousa sobre Angola como se o tempo parasse por um instante, em reverência à memória de um dos seus filhos mais heroicos. Exactamente 48 anos se passaram desde o sacrifício do comandante Celestino Samanjolo, tombado na Missão de Chilesso, no Andulo, em 1977, quando o país ainda palpitava ao ritmo da esperança revolucionária. Hoje, como então, o nome Samanjolo evoca coragem, entrega, e o preço altíssimo pago pelos que ousaram sonhar com uma Angola livre.

É por isso que a homenagem escrita por Jonas Savimbi, não como político ou general, mas como poeta e camarada de trincheira, atravessa gerações. O poema “Samanjolo Irmão” é mais do que versos; é um grito de luto, um cântico de combate, um testamento deixado a todos os que continuam a luta, ainda que os ventos da história tenham mudado de direção.

“Partiste primeiro porque foste o melhor”, repete-se como um refrão inevitável. A dor de quem sobreviveu pesa nos ombros dos que ficaram. Não há glória na morte, mas há honra quando ela é vivida por uma causa maior do que o medo. Samanjolo não caiu por acaso. Caiu porque ousou ser dos melhores, dos que não recuam, mesmo sabendo que o preço da dignidade, em tempos de guerra e traição, é a própria vida.

À época, o inimigo era visível — o colonialismo, o imperialismo, as botas que pisavam os sonhos de um povo inteiro. Hoje, os muros são mais altos e os traidores mais bem vestidos. Mas a pergunta do poeta permanece viva: “Quem seguirá os passos?”

A crônica desses dias é amarga. Muitos dos que comandam Angola em 2025 fizeram carreira negando os valores pelos quais Samanjolo tombou. Falam de paz, mas é uma paz sem justiça. Falam de unidade, mas praticam exclusão. Fazem discursos sobre soberania enquanto saqueiam o país para bancos estrangeiros.

Mas há também os que seguem os passos. Homens e mulheres que organizam assembleias populares nos bairros, jovens que resgatam a memória histórica como arma política, comunidades que erguem punhos cerrados em sinal de resistência — como Samanjolo, como Kazombuela, como Pole-Pole. São os herdeiros não biológicos do espírito que inspirou o poema.

Nas entrelinhas da homenagem de Savimbi está uma convicção: a luta continua enquanto houver imperialismo, enquanto houver injustiça, enquanto os melhores forem os primeiros a partir.

Hoje, ao cair da tarde, não apenas lembramos. Reafirmamos. Samanjolo, irmão, tua arma não foi enterrada contigo. Ela permanece nas mãos dos que não se renderam, dos que ainda acreditam que a história de Angola será escrita pelo povo — e não pelos fantoches do capital.

Que a tua memória, comandante, continue a fermentar a rebeldia justa, a indignação organizada, o combate necessário. Que em cada bairro, cada comuna, cada aldeia, a chama que te moveu renasça em punhos cerrados e consciências despertas.

Porque, como sempre, serão os melhores a seguir os teus passos.

Feito no tempo presente, com os olhos no passado e os punhos no futuro.

 

Por Hitler Samussuku

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