Angolanos correm para o seu ultramar – Jorge Eurico

Os angolanos estão a fixar-se de mala e cuia no seu Ultramar: Portugal! O número de emigrantes angolanos cresce todos os dias. Lisboa, Porto e Coimbra estão a rebentar pelas costuras. Razões económicas e sociais estão na base da emigração angolana. Nada tenho contra a emigração. Provenho de uma família de imigrantes. Tenho espírito de marinheiro-peregrino. Já aportei em muitos cais. Cada um tem a liberdade de se fixar onde se sente melhor e é bem tratado. 

Angola é independente há meio século. Liberdade de estômago vazio é contraproducente. É nada! Patriotismo sem pão não funciona. É uma utopia! Falta cada vez mais pão na mesa dos angolanos. Há famílias que até 2017 tinham três refeições por dia. De 2017 para cá passaram a ter apenas uma. Outras há que estão na miséria total e absoluta. Solução: Abalar para Portugal. Lá há pão e água para aplacar a fome. Educação e Saúde. Luz e Segurança pública. Os angolanos buscam em Portugal as condições sociais e económicas que lhes são denegadas na sua terra.

A emigração massiva de angolanos para Portugal leva à seguinte conclusão: A emancipação política insegurou a independência económica e social dos cidadãos. Foi incapaz de proporcionar as condições básicas para o principal elemento estruturante de um Estado: O cidadão! A migração de ex-colonizados para a terra dos antigos colonizadores é um indicador de falhas no processo da Independência nacional e da governação de meio século de existência do Estado angolano.

Por Jorge Eurico

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