De acordo com a reportagem, a maioria dos casos está relacionada com falhas de segurança nas obras, ausência de equipamentos de protecção individual, negligência patronal e falta de fiscalização eficaz por parte das autoridades.
Um dos casos mais recentes ocorreu no município do Sumbe, província do Cuanza Sul, onde um trabalhador de 39 anos morreu após ser atingido por uma viga durante a demolição de um prédio de cinco andares. A acção estava a ser executada manualmente pela empresa China Zhong Tai, contratada para remover edifícios antigos.
O irmão da vítima, Ângelo Júlio, que também trabalha na mesma empresa, denunciou que a obra estava a ser realizada “sem condições mínimas de segurança”. O caso foi encaminhado à IGT, que garante estar a acompanhar o processo.
O incidente motivou reacções da Central Geral dos Sindicatos Livres e Independentes de Angola (CGCILA), que exigiu a demissão do ministro das Obras Públicas, Urbanismo e Habitação, acusando-o de “induzir o Presidente da República em erro”, ao autorizar orçamentos para demolições sem garantias técnicas adequadas.
Apesar das garantias públicas do ministro Carlos dos Santos, que assegurou a observância das normas de segurança em demolições a nível nacional, os sindicatos e familiares afirmam que a realidade no terreno é diferente: trabalhadores sem formação, sem equipamentos, e obras conduzidas com meios rudimentares.
De acordo com a DW, entre 2019 e 2023 foram registadas 133.424 infrações laborais. Para os sindicatos, os números revelam um cenário preocupante e uma cultura institucional de impunidade face a mortes e lesões evitáveis no local de trabalho.
