Angola prepara IPO de 239 milhões de dólares do Banco de Fomento Angola

O Governo angolano anunciou que vai lançar, em setembro de 2025, a Oferta Pública Inicial (IPO, na sigla em inglês) do Banco de Fomento Angola (BFA), num valor estimado em 239 milhões de dólares. A operação integra o Programa de Privatizações (ProPriv 2023–2026) e segue a privatização de 15% da participação maioritária do Estado no BFA realizada em 2024, numa tentativa de reduzir a intervenção estatal em sectores estratégicos e atrair capital estrangeiro.

Segundo fontes do executivo, os recursos provenientes da IPO serão aplicados na expansão das operações do banco, no reforço da sua base de capital e no desenvolvimento de serviços financeiros, incluindo apoio a pequenas e médias empresas, banca digital e infraestruturas. A medida visa contribuir para a diversificação da economia angolana, historicamente dependente das exportações de petróleo.

O BFA é detido de forma indireta pelo Estado angolano, através da UNITEL, com 51,9% do capital, enquanto o banco português Banco Português de Investimento (BPI) detém os restantes 48,1%. Esta estrutura societária combina controlo local com experiência internacional, podendo atrair investidores nacionais e estrangeiros, reforçando a presença do BPI na região africana.

Analistas destacam que o IPO posiciona Angola como um actor emergente no mercado financeiro regional, reduzindo a vulnerabilidade do país às flutuações do preço do petróleo e promovendo a integração económica africana. Contudo, alertam para riscos associados ao mercado financeiro angolano, ainda pouco desenvolvido, à limitada participação de investidores institucionais e à falta de transparência sobre a aplicação dos fundos arrecadados.

Especialistas consideram que a operação representa uma oportunidade de crescimento económico, mas sublinham que o sucesso dependerá da capacidade do país em criar um ambiente regulatório estável e atrativo para o investimento estrangeiro.

Caso a operação seja bem-sucedida, o IPO do BFA poderá servir de exemplo para futuras privatizações em Angola e em outros mercados africanos, mostrando que a combinação de diversificação económica e capital estratégico pode gerar crescimento sustentável.

Fonte: Governo de Angola / ProPriv 2023–2026 / Banco de Fomento Angola

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