“Angola precisa de um programa de prevenção contra a corrupção”, diz analista

Em 2023, Angola atraiu a atenção internacional ao descer cinco posições no índice de corrupção segundo pesquisas feita pela Transparência Internacional, uma organização não governamental. Contudo, José Gama questiona se esse avanço deve ser de facto considerado um verdadeiro ganho para o país. Em sua análise, apesar das melhorias em alguns aspectos, Gama afirmou à Rádio Essencial que Angola ainda permanece no mapa da corrupção.

De acordo com a Transparência Internacional, a fonte da corrupção nos governos africanos está ligada à contratação pública e aos concursos públicos. Gama destaca a falta de transparência nesses processos, incluindo a preferência por adjudicações directas por parte do presidente, o que pode alimentar práticas questionáveis no âmbito executivo.

A persistência desses métodos levanta dúvidas sobre a eficácia dos esforços governamentais no combate à corrupção desde 2017. Gama fala que, mesmo com a criação de instituições anti-corrupção, como a Procuradoria Geral da República, a percepção de corrupção no poder judicial ainda é uma preocupação.

O analista conclui que a luta contra a corrupção em Angola requer uma abordagem mais abrangente. Destaca a necessidade de enfrentar actos corruptos ocorridos após 2017 e de garantir que os líderes, incluindo o Presidente João Manuel Gonçalves Lourenço, declarem seus bens publicamente. A falta de transparência é identificada como um factor contribuinte para a corrupção, e Gama sugere que Angola deve intensificar esforços para melhorar sua posição no cenário internacional e se desvencilhar do estigma associado à corrupção.

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