Angola: Crianças sem futuro – Gika Tetembwa  

Nos últimos 5 anos, determinei-me a levar o ativismo em direção a todos os níveis de pressão sobre os constantes abusos de menores. Depois das eleições de 2017, virei o foco total para as profundas questões dos assuntos das crianças vítimas de várias formas agressivas de abusos constantes. Os abusos vêm desde os adultos em silêncio até aqueles que ignoram as regras constituídas. Será que as crianças em Angola, perante os interesses do Estado angolano, não têm um mecanismo de proteção?  

Até agora, consegui perceber vários comportamentos, desde o silêncio das pessoas que deveriam proteger essas pobres crianças até as instituições que fazem de tudo para estarem à frente dos casos, mas que, na verdade, dependem totalmente dessa crise infantil para obterem seus financiamentos.

Aos encarregados dessas mesmas crianças, muitos vivem sérios transtornos, dramatizados pelas questões sociais.

Hoje, consigo olhar para os números que se multiplicam em relação à pobreza. Já consegui perceber a razão. A questão seria a incapacidade dos nossos políticos. De certa forma, de longe, na vida vivi muitas coisas e ouvi vários contos de decepção.

Desde familiares que passaram a perna em seus próprios parentes até filhos que venderam casas de família sem saber o que lhes esperava.

Tudo isso me levou à mais difícil realidade: quando você não tem amor por si mesmo, vai lutar consigo mesmo e não terá nada para dar.

Muitos dos nossos políticos fizeram parte dos períodos mais difíceis da nossa história, desde as lutas de libertação até a guerra entre nós. Tudo isso produziu os lobos maus que temos entre nós. Vêm da dureza em seus corações e, na hora de olharem para assuntos delicados, são grandes cegos.

Sem desprimor a seguir, mas apenas para ilustrar o velho ditado: “não saber é como não ver”.

Tudo dito acima é confirmado pelo filme mais polêmico, porque foram usadas somas avultadas para que ele fosse travado: The Sound of Freedom.

O barulho da liberdade. A luta para salvar as crianças hoje me parece ser a mais feroz. Até arrepia todo o meu corpo. Ser criança já não é motivo de harmonia, porque há pessoas que fazem de tudo para destruí-las em função dos seus prazeres.

Nem todo silêncio dos adultos é luz verde para os abusos de menores. Isso agora é uma armadilha. Será que seremos sábios o suficiente para salvar essas crianças? Ou, se não as salvarmos, a continuidade da nossa existência estará terminada? Ou será que, de braços cruzados, vamos aceitar isso?

Os dados apontados recentemente pela Fox News indicam que o tráfico de menores gera, por ano, nos Estados Unidos da América, 150 bilhões de dólares. Quando o escritor do filme Sound of Freedom falou em uma entrevista, foi interessante porque ele trouxe dois pontos importantes.

O primeiro é que Tim Ballard, durante 10 anos, trabalhou para a segurança do Estado americano como um agente especial designado para salvar crianças vítimas de tráfico e abusos sexuais internacionais. Tim Ballard, hoje muito odiado pela mídia, revelou também certos aspectos sobre o tráfico de crianças na África, chegando a dizer que “existe um número elevado de mulheres reprodutoras de crianças na África, que, depois de darem à luz, veem essas mesmas crianças lançadas no circuito de abusadores”.

O segundo ponto, ainda mais difícil de ouvir, é que Tim Ballard revelou que “muitos desses pedófilos abusam das crianças até que elas percam a vida de forma brutal”.

A pergunta que se impõe: se os Estados Unidos não conseguiram travar ou minimizar essa onda de crimes contra crianças, e os países mais vulneráveis? Segundo a Fox News, para os cofres do Estado americano, o tráfico de menores gera 150 bilhões de dólares por ano.

Por Gika Tetembwa

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