Activistas lançam petição para destituir João Lourenço

Circula nas redes sociais uma petição que exige a destituição imediata de João Manuel Gonçalves Lourenço do cargo de Presidente da República de Angola. O documento, subscrito por figuras conhecidas da sociedade civil e do meio artístico, como Luaty Beirão, Hitler Samussuku, Sizaltina Cutaia, Alexandra Simeão, Ilídio Manuel, Cesaltina Abreu, Nelson Dembo “Gangsta77”, Dito Dalí, JPrivado, Isidro Fortunato e Jerónimo Nsisa, conta ainda com o apoio de activistas, juristas, jornalistas, académicos e jovens organizados. Em paralelo, o militante do MPLA, Valdir Cónego, apresentou no Tribunal Constitucional um pedido de suspensão de João Lourenço da liderança do partido.

Segundo a nota, a iniciativa não é “passional nem arbitrária” e baseia-se na própria Constituição, invocando direitos fundamentais como o à vida, liberdade, integridade física, manifestação e informação. Os signatários acusam o Presidente de violar, de forma sistemática, esses princípios desde que assumiu o cargo em 2017.

A petição recorda episódios como o massacre de Cafunfo, a morte de Sílvio Dala, a morte de Juliana Cafrique e de Inocêncio de Matos, apresentados como símbolos de repressão e impunidade. Para os subscritores, a repressão a protestos, nomeadamente contra a retirada dos subsídios aos combustíveis, transformou uma discussão económica numa “guerra contra os pobres”, marcada por uso de tanques e armas para conter manifestações.

O documento acusa ainda órgãos como a TPA, TV Zimbo, RNA e o Jornal de Angola de actuarem como instrumentos de propaganda, em detrimento do seu papel informativo. “O povo exige justiça, liberdade e dignidade”, lê-se no texto, que aponta a Assembleia Nacional como responsável por dar resposta ao apelo.

Hitler Samussuku, apontado como articulador do processo, sublinha que não se trata apenas de recolher assinaturas, mas de um “chamado à coragem” para que o Parlamento actue. “Está em jogo o futuro do país, não apenas o mandato de um homem”, reforça.

Para os promotores, a petição simboliza uma Angola que “resiste, respira e acredita que ninguém está acima da Constituição”, transformando-se num acto colectivo contra o que consideram o “silêncio institucional” e o “colapso do contrato social”.

Já no plano partidário, Valdir Cónego, membro do Comité Central do MPLA, apresentou uma providência cautelar à presidente do Tribunal Constitucional, Laurinda Cardoso, pedindo a suspensão de João Lourenço da liderança do partido. Alega perda de confiança política, gestão ineficaz, violação dos estatutos e agravamento da crise social. O militante defende que a medida abriria espaço para novas candidaturas ao IX Congresso Ordinário do MPLA, em 2026, e apela ao abandono voluntário da presidência do partido para salvaguardar as hipóteses eleitorais de 2027.

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