Activista Osvaldo Kaholo em greve de fome há mais de uma semana

 O activista cívico Osvaldo Kaholo encontra-se em greve de fome há mais de sete dias, em protesto contra a forma como tem sido conduzido o processo judicial que motivou a sua detenção, alegadamente por suspeita de rebelião e apologia ao crime, após ter organizado manifestações contra o aumento do preço dos combustíveis.De acordo com declarações prestadas à DW pelo advogado de defesa, Bruno Xingui, o cidadão em causa considera a sua detenção de natureza política e, por este motivo, recusa-se a ingerir as refeições fornecidas pelos Serviços Prisionais.

Segundo o causídico, a defesa entende que a detenção do activista é arbitrária e não obedece aos pressupostos legais, tendo considerado excessiva a medida de coação aplicada pelo juiz de garantia, por não se verificar risco de fuga nem obstrução de prova.

Por seu turno, familiares do detido expressaram preocupação com o seu estado de saúde. A irmã do activista, Elsa Kaholoa, afirmou que este recusa consumir alimentos preparados no estabelecimento prisional, por receio de possível envenenamento, e exige que as refeições lhe sejam entregues exclusivamente pela família.

A mãe do activista, Isabel Correia, considera que o filho se encontra detido por razões políticas e defende que deveria responder em liberdade, por entender que não representa perigo para a ordem pública.

Osvaldo Kaholo é conhecido no país por ter integrado, em 2015, o grupo de jovens activistas conhecidos por “15+2”, detidos na sequência de manifestações contra o Governo então liderado por José Eduardo dos Santos.

Contactados pela DW, os Serviços Prisionais ainda não se pronunciaram sobre o assunto.

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